Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

LIVRARIA 107

Foi com enorme espanto seguido de uma enorme tristeza que ontem, ao ler o Jornal das Caldas, fiquei a saber que a Livraria 107 vai fechar em Setembro!.
Esta é a minha livraria desde há quatorze anos, quando vim viver para a cidade de Caldas. Mal entrei, gostei e senti-me logo como em casa.
Não é uma livraria como as outras, não é apenas um local onde se vendem livros, ali é uma casa de livros, os livros têm vida, falam connosco, além da simpatia da proprietária, Isabel Castanheira, das duas funcionárias, dos gatos, o Gil Vicente (que já morreu) e a Florbela Espanca, da caixa da Crapaa, e tantas e tantas outras pequenas coisas que fazem daquele local um sitio extremamente agradável para se estar e frequentar.
A cidade de Caldas vai ficar mais pobre e com um enorme vazio.
A Isabel Castanheira culpa a crise, as pessoas não compram livros, eu sei que sim e por mim falo, compro menos livros, mas será que não há outra hipótese?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A CABANA DO PAI TOMÁS de HARRIET BEECHER STOWE

Escravidão, a maior ignominia da humanidade sobre si própria!
Li este livro na minha adolescência e nunca mais o poderei esquecer, deveria ser obrigatória leitura, devia ser estudado nas escolas....
"Não há muitos livros que tenham vivido uma vida tão atribulada como "A Cabano do Pai Tomás". Publiado entre 1851 e 1852, nos Estados Unidos da América, em forma de folhetim, num jornal antiesclavagista moderado, "National Era", e recusado pelos primeiros editores a quem foi proposto sob a forma de livro, "A Cabana do Pai Tomás" acabaria por ser editado nesse formato a 20 de Março de 1852. O livro vendeu dez mil exemplares na primeira semana de vendas dos E.U.A. e 300.000 exemplares no primeiro ano. Na Grã-Bretanha, no primeiro ano de edição, venderia um milhão nas suas várias traduções, o que era muito para a época. Segundo as suas próprias palavras, Harriet Beecher Stowe esperava ganhar com a onbra dinheiro para um vestido novo, mas os primeiros três meses de vendas renderam-lhe a soma de 10.000 dólares - uma pequena fortuna, na altura.
Em 1861, nas vésperas da Guerra Civil Americana (1861 - 1865) a autora era a mais famosa escritora do mundo e o livro atingia uns fabulosos 4,5 milhões de exemplares vendidos - um número tanto mais espantoso quanto muitos dos estados do Sul dos E.U.A. o tinham proibido, quando havia contra ele uma intensa campanha politica e os cinco milhões de escravos que integravam os 32 milhões de americanos de então eram praticamente todos analfabetos. Havia um exemplar de "A Cabana do Pai Tomás" em cada familia americana não militantemente esclavagista, o que o tornava companheiro de estante frequente.
A seguir à Guerra Civil americana, da qual é apontado como uma das causas directas (a lenda reza que Abraham Lincoln, durante uma visita de Harriet Beecher Stowe à Casa Branca, em 1862, lhe terá chamado "a pequena senhora que fez esta grande guerra"), o livro foi caindo gradualmente em esquecimento e só voltaria ao primeiro lano após a II Guerra Mundial, para conquistar um lugar cativo no panteão dos "grandes romances americanos".
Nascida numa familia fervorosamente religiosa, filha do mais famoso pregador evangelista da sua geração, Lyman Beecher, e casada com um professor de teologia, Calvin Stowe, Harriet viveu toda a sua vida num ambiente de extrema devoção e firmes conviccções antiesclavagistas, alicerçadas numa veemente fé cristã na igualdade de todos os seres humanos.
Antes de "A cabana do Pai Tomás" a sua reputação como escritora era inexistente e a sua carreira nesse dominio resumia-se a alguns textos morais e bucólicos, descrições campestres. terá sido a aprovação da Lei dos Escravos Fugitivos, em 1850 (que tornava crime dar ajuda ou refúgio a estes escravos e que foi acatada por alguns estados do Norte), que levou Harriet Beecher Stowe a deitar as mãos ao romance. Isso e uma visão que teve um dia depois da comunhão, em que à frente dos seus olhos voi desfilar o martirio e morte do Pai Tomás.
Misto de romance e panfleto, "A Cabana do Pai Tomás" está cheio de interpelações lacrimógénicas ao leitor, (na minha opinião também fruto da forma de escever na época);não deixa de ser uma obra poderosa que se lê com inevitável adesão.
Ao contrário do que por vezes se pensa, o livro de Harriet Beecher Stowe não é de forma alguma um libelo acusatório do Norte contra o Sul. A autora denuncia com igual afinco todos os que aceitam ou defendem ou lucram com a escravatura e não deixa de invectivar a hipocrisia dos nortistas que fazem negócio com os escravos no Sul, assim como a proóproa Igreja cristã, que tem "uma conta pesada para pagar". A alma negra do livro é, aliás um homem do Norte, de Nova Inglaterra, e abundam na obra pessoas do sul que são exemplo de virtude.
O livro que acordou as consciências de tantos homens e mulheres para a iniquidade da escravatura e que teve um papel tão relevante na libertação dos escravos nos EUA seria considerado, ironicamente, a partir dos anos 60 (por dirigentes do movimento pelos direitos civis e pela emancipação dos negros americanos) como uma obra racista e perpetuadora da submissão dos negros. A razão está antes de mais no seu protagonista, Pai Tomás ("Uncle Tom", é, nos EUA, o mais violento insulto aue se pode lançar a um negro), que não é um lider revoltoso, um Spartacus, como querreria o movimento negro americano,mas um mártir,dócil e piedoso, que aceita todos os castigos, como penitência e que perdoa a todos os seus inimigos. Tomás é um homem de extrema nobreza, sem uma réstia de servidão, com uma coragem fisica e uma abnegação suprema, que reconhece a ignominia da escravatura e que não a aceita de forma alguma, mas que recusa a violência como forma de resistência e que incapaz de mentir mesmo ao mais vil dos homens - não por medo, mas por respeito por si próprio.
T´más é um santo, quando os negros americanos dos século XX buscavam um heroi. É evidente que esta passividade não podia merecer a aprovação politica dos militantes, da mesma forma que os retratos dos negros feitos por Harriet Beecher Stowe, com toda a sua benevolência e angelização, não podiam deixar de ser denunciados como paternalistas. Mas poucos livros se podem gabar de ter tido uma tal influência na vida de tantos milhões de pessoas.
O romance de Harriet Beecher Stowe conheceu, desde o inicio da historia do cinema, diversas adaptações. Logo em 1903, Edwin S. Porter dirigiu uma curta-metragem de 13 minutos. Onde anos depois, William Roberty Daly volta à história de "A cabana do Pai Tomás", com Sam Lucas no papel principal e Walter Hitchock como George Shelby, em mais um filme mudo. Em 1927, estreia-se uma grande produção, desta vez dirigida por Harry A. Pollard. O filme acabou por ser criticado por dqar uma visão demasiado romamntica e pouco credível do tema da escravatura. "A cabana do Pai Tomás" deu ainda origem a uma série brasileira com argumento de Walter Campos e Régis Cardoso (1969) e a um telefilme dirigido por Stan Lathan (1987).
(Retirado de Jornal "O Público" do ano de 2005)

terça-feira, 26 de julho de 2011

SEM PALAVRAS

Uma singela homenagem da autora deste blog a todas as vitimas do terror na Noruega e a todos os noruegueses, em geral.

CASPER: O GATO VIAJANTE

Esta é a historia veridica de Casper, contada pela sua dona.Ele já morreu, lembro-me de a noticia ser partilhada no facebook, era um gato conhecido por todo na sua cidade, Plymouth, em Inglaterra. Quem gosta de gatos e tem convivido com muitos deles ao longo de muitos anos, encontra, como eu encontrei, muitas historias e factos que de certeza que já nos aconteceram e aos nossos gatos!.
Para quem gosta de gatos e não só!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

AS REPUBLICANAS

Ana de Castro Osório, escritora, feminista e activista republicana, nasceu em Mangualde, a 18 de Junho de 1872, e viria a falecer em Setúbal, a 23 de Março de 1935.
É considerada a fundadora da literatura infantil no nosso país. Escreveu alguns livros que foram utilizados como manuais escolares e publicou ainda uma obra marcante na sua época, a colecção Para as Crianças, que lhe ocupou perto de quatro décadas de trabalho.
Traduziu obras dos irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e outros escritores estrangeiros; escreveu também algumas peças de teatro infantil.
Muitas das suas obras foram traduzidas para francês, espanhol e italiano.
Viveu no Brasil com o marido - o poeta Paulino de Oliveira, que foi consul de Portugal em S. Paulo, de 1911 a 1914, lá exerceu as actividades de professora e escritora, tendo alguns dos seus livros sido adoptados em escolas brasileiras.
Mas não foi só nessa área que Ana de Castro Osório se distnguiu, tendo nascido sob a monarquia, lutou pelos ideais republicanos e também pela defesa dos direitos das mulheres, tendo fundado a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, e sido sub-inspectora do Trabalho Feminino. Escreveu livros sobre os problemas das mulheres da sua época.
Foram-lhe atribuídas as condecorações da Ordem de Santiago, que não aceitou, e a Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.
Em 1905, escreveu "Mulheres Portuguesas", o primeiro manifesto feminista português. Ana de Castro Osório foi pioneira da luta pela igualdade de direitos das mulheres. Colaborou com Afonso Costa (Presidente da I República) na criação da Lei do Divórcio. Defendeu até à exaustão que as mulheres não deviam ser meras peças decorativas (como eram consideradas na época) e que a educação era o "passo definitivo para a libertação feminina".
Em 1911, estava escrito na lei que tinham direito a voto apenas "cidadãos portugueses com mais de 21 anos que soubessem ler e escrever e fossem chefes de familia". Apesar de não ser dito explicitamente, as mulheres estavam excluídas. Revoltou-se contra esta e outras situações. Lutou por direitos como o voto universal e a igualdade de salários. Não estava disposta a engolir discriminações. Ana de Castro Osório desenrolava os mais robustos argumentos para defender a causa das mulheres.
Foi um exemplo de empenho e dedicação por uma causa justa. Claro que não do dia para a noite que as mulheres derrubaram os muros de discriminação. Como todo o movimento de mudança, o discurso vem antes da prática. A luta ainda não terminou, mas sem activistas como Ana de Castro Osório a tarefa seria bem mais dificil!

SILOS (ANTIGA EPAC)

Os Silos da antiga EPAC na cidade de Caldas transformados em museu e em local de eventos, como o Caldas Late Night. Uma ideia a aplaudir!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ANGELA DAVIS

Angela Yvone Davis, nasceu em 1944 no estado norte americano do Alabama, um dos mais racistas do sul dos EUA. Negra, cedo conviveu com a humilhação e o racismo na sua cidade. Conseguiu estudar mercê de bolsas de estudo para estudantes negros e em 1960 tornou-se militante e participante activa dos movimentos negros e feministas que sacudiam na altura a sociedade americana.
É preciso relembrar que até meados dos anos 60, existia Apartheid nos estados do sul dos EUA. Os negros ou afro-americanos não podia andar nas mesmas ruas dos brancos, não podiam viver nas mesmas casas nem nos mesmos prédios, não podiam andar no mesmo lado da rua, ir às mesmas lojas, andar nos mesmos autocarros, ir aos mesmos cafés e/ou restaurantes, eram ta,bém proibidos de frequentar as mesmas escolas! Foi Angela Davie e muitos e muitos outros activistas que conseguiram após muitos anos de luta e persistência por um fim a esse estado de coisas e a essas leis, pelo menos, na aparência, pois o racismo nos EUA continua a existir, embora apenas de vez em quando os media falem sobre o assunto.
Por isso a quem hoje despreze o facto de o 44º Presidente deste país ser um negro, eu considero que é de facto extraordinário!A primeira dama actual, Michele Obama, é descendente de escravos!
Alguma coisa coisa mudou e bastante!.
Em 18 de Agosto de 1970, Angela, tornou-se a 3ª mulher a integrar a Lista do Dez Fugitivos mais procurados do FBI, sendo acusada de conspiração, sequestro e homicidio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do Tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, S. Francisco.
Conseguiu fugir, mas foi alvo duma das maiores caçadas humanas do país na epoca. Foi presa em Nova Iorque, nesse ano. O julgamento duraria 18 meses e seria tremendamente mediático, Angela conseguiria o apoio e simpatia por muita gente em redor do mundo.Foi declarada inocente.
Angela candidatou em 1980 e 1984 a vice presidente dos EUA, conseguindo uma pequena votação irrisória.
É professora e filósofa. Actualmente continua a sua militância, nomeadamente dando palestras no seu país.