Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MOINHOS DA APÚLIA

A Apúlia é uma vila de pescadores e ainda de camponeses, as terras estão cultivadas e lavradas. Apenas se enche de gente nas férias e são maioritariamente os emigrantes que vêm de férias ou então gentes do interior que procuram o mar. Na praia, ainda existem e estão preservados os antigos moinhos, os quais penso eram antigamente utilizados pelos pescadores locais.







CHRISTA WOLF: ACIDENTE

Nestas férias, descobri por acaso, numa das minhas deambulações pela Apúlia,numa pequena Feira do Livro, na praça principal mesmo em frente à praia, este pequeno livro da escritora Christa Wolf, é uma das mais importantes escritoras da Alemanha de Leste, embora me pareça ser pouco conhecida no nosso país.
Acicente, é contado na primeira pessoa nos dias em que se conheciam as terríveis consequências do desaste nuclear de Tchernobil e ao mesmo tempo a escritora vive a terrível experiência de ter um irmão a ser operado num hospital, entre a vida e a morte.
Gostei do livrinho, até porque já passei pela experiência da (quase) perda de um irmão...
É uma edição das Publicações D. Quixote.

HIPPIES: SOU UMA ADOLESCENTE DOS ANOS 60

Andavam por aí a protestar contra a guerra, contra todas as guerras, vestiam-se de formas exóticas e irreverentes, viviam em grupos, praticavam o amor livre, eram contra toda a espécie de violência, cantavam algumas canções que vão ficar na história da musica, mudaram radicalmente o pensamento da sua geração, nunca mais nada seria o mesmo,hoje, a maior parte esqueceu-se, mas alguns ainda andam por aí, defende os direitos dos animais, são ecologistas, defensores dos direitos humanos, alguns tornaram-se pessoas famosas e importantes,mas para quem foi sinceramente influenciada por eles, como eu por exemplo, não costumo ser muito nostálgica nem saudosista. mas tenho realmente bastantes saudades desse tempo.












RECORDAÇÕES

Fotos de familia antigas, o meu bisavô que era fanático de futebol e era jogador amador, acho que do Benfica e obrigava o meu pai em garoto a ir assistir a todos os jogos, o meu avô João em jovem, eu na escola primária,eu na praia de Carcavelos, o meu pai com 9 anos de luto pela mãe, minha avó Lidia....





DESCOBERTAS CARTAS INÉDITAS DE JOHN LENNON

Hunter Davies, biógrafo oficial dos Beatles, descobriu cerca de 250 cartas inéditas escritas por John Lennon a familiares e amigos.
Yoko Ono, viuva de John, autorizou a selecção e publicação das mesmas.
Aguardamos que isso suceda!


terça-feira, 30 de agosto de 2011

BIOGRAFIA DE SITA VALLES:

Tive o privilégio de conhecer pessoalmente a Sita, nos idos, já longinquos, de 1972, 1973, nas lutas e manifestações antifascistas desses anos antes do 25 de Abril de 1974.
Este livro, lido com muita emoção, descreve-a tal e qual como ela era e todos a conheceram, enérgica, impulsiva, corajosa, extremamente inteligente e excepcionalmente bonita.
Já é altura de a verdade dos acontecimentos começar a vir ao de cima e os factos historicos serem divulgados e conhecidos por todos.
Lembro-me de na altura, após os acontecimentos descritos no livro, todos perguntarem, e o que é feito da Sita, o que se passou com ela, onde está? E ninguém sabia ou queria responder, as poucas verdades iam chegando lentamente, a conta gotas.
Parabéns à jornalista Leonor Figueiredo!
A Sita morreu de olhos abertos perante o pelotão de fuzilamento!
O melhor que se lhe pode fazer é ler o livro.
Edições Aletheia Editores;




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

UM LIVRO NA LIVRARIA 107

No próximo dia 1 de Setembro, 5ª feira, a partir daas 17h30, estão convidadas todas as pessoas que gostam de livros e gostam da nossa livraria 107, a comparecerem em frente à mesma, para conversar e trocar ideias e opiniões, vamos tentar salvar a Livraria!

TRAVEL BOOK, LONDRES

A antiga e muito conhecida livraria Travel Book, em Londres, encontra-se, tal como a nossa 107 com graves problemas financeiros. Um grupo de amigos da livraria, preocupados com o anunciado encerramento da mesma, juntaram-se e ofereceram-se como voluntários e ao mesmo tempo convidaram inúmeros escritores a juntarem-se à iniciativa, tentando com imaginação evitar a todo o custo o fim de um local de convicio e cultura.
Uma boa ideia a ter em conta para os amigos e defensores da 107!

AS REPUBLICANAS: MARIA VELEDA: UMA GRANDE SENHORA INJUSTAMENTE ESQUECIDA

Professora, feminista, republicana, livre pensadora e espiritualista (1871 - 1955)


Maria Veleda foi uma mulher pioneira na luta pela educação das crianças e os direitos das mulheres e na propaganda dos ideais republicanos, destacando-se como uma das mais importantes dirigentes do primeiro movimento feminista português.

Nasceu Maria Carolina Frederico Crispim, em Faro numa familia burguesa. O pai com ascendentes britânicos era personalidade de relevo na vida social e cultural local,faleceu em 1882 deixando a familia em dificuldades. A jovem Maria Carolina tinha tido uma educação cuidada e convivia, desde cedo com livros, jornais, teatro, decidiu aos 15 anos conquistar autonomia de vida. Dedicou-se ao ensino, dando explicações particulares. Em 1896 vem para Lisboa, com um filho que adoptara 5 anos antes. Vai exercer o professorado em Odivelas, Ferreira do Alentejo, Serpa, antes de regressar a Lisboa em 1905. Em 1899 tem um filho de uma ligação com o escritor Candido Guerreiro, com quem decidiu não casar. Adoptou o pseudónimo de Maria Veleda.
Recentemente o Museu República e Resistência dedicou-lhe uma sessão evocativa com uma exposição: Maria Veleda: uma professora feminista, republicana e livre pensadora.


"Eu tinha uma ardente esperança no futuro; e a minha propaganda era iluminada pelo clarão abençoado na fé num mundo novo, liberto de injustiças - um mundo sobre o qual a Fraternidade desdobrasse o seu manto protector", escreveu.


Contemporânea de Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Angelina Vidal, Carolina Beatriz Angelo, Beatriz Pinheiro de Lemos, e muitas outras, Maria Veleda integrou o restrito grupo de mulheres que marcou as duas primeiras décadas do século XX, devido a uma rara, corajosa e decidida intervenção nos acontecimentos sociais, politicos e educativos, Exerceu a profissão de professora em localiades do Algarve e Alentejo e em Lisboa, ambicionou ser escritora e acabou por se empenhar no combate politico por um novo regime - a República; promoveu a emancipação feminina, liderou o movimento associativo dos docentes do ensino livre, e foi pioneira nas campanhas públicas de protecção às crianças de rua, tendo publicado as Memórias no jornal República, em 1950, quando completou 79 anos.

Em Lisboa, já com mais de 30 anos, e após infindáveis dificuldades e peripécias para obter emprego e alojamento, a sua vida mudou irreversivelmente de rumo ao aceitar o lugar de professora-regente do Centro escolar Afonso Costa, situado na Calçada de Arroios e dirigido por Alves Torgo, recebendo "vinte mil reis de honorários e habitação", o que "chegava para viver sem grandes privações". Surgiram os primeiros contactos e o convivio quotidiano com os republicanos que frequentavam o Centro, desde Ricardo Covões a Afonso Costa, e a leitura de jornais mais politizados como o Século e A Vanguarda. Neste, dirigido por Magalhães Lima, encetou uma actividade regular como cronista, abordando temas sociais e feministas.


Em 1907, e tal como Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Angelo, Maria Veleda foi iniciada na Maçonaria, na Loja Humanidade, com o nome simbólico de Angústias, tendo colaborado desde então com diversas instituições paramaçónicas,com destaque para a Associação de Registo Civil e a Federação Portuguesa do Registo Civil.


Assumidamente empenhada no processo politico da 1ª República, Maria Veleda rompeu em 1915 com a Liga Republicana de Mulheres por esta se ter assumido como apartidária e acompanhada de um grupo de dissidentes fundou a Associação Feminina de Propaganda Democrática. Tal como o nome indicava, procurava-se a identificação com o Partido Democrático e visava apoiar a intervenção politica de Afonso Costa, figura respeitada e admirada pela generalidade das militantes republicanas, feministas e maçónicas.

Mulher de principios e de ideais, que atacou, através de artigos contudentes, os oportunistas e "adesivos" que se aproveitaram da mudança de regime e o minaram, concluiu as suas evocações sublinhando que a "República não me concedeu favores nem a mim nem aos meus e disso me orgulho".

Desde os escritos na Revista Sociedade Futura, Maria Veleda demonstrou preocupação com a sorte das crianças desfavorecidas, numa época em que a "miséria, o abandono a que muitas sucumbiam,arrastando-as à vadiagem e à deliquência, ainda não tinham encontrado na opinião pública um eco de compaixão" e em que proliferavam os infanticidios, responsabilizando-se unicamente as mulheres pelos mesmos.

"Guerrazinhas acintosas como certos republicanos dementados acenderam entre si, foram o cabo tormentoso em que viria soçobrar a jovem e incauta República"

Mais tarde, as divergências e cisões entre politicos, a instabilidade governativa, as revoltas e revoluções, a resignação do Presidente Manuel de Arriaga, o consulado sidonista, e a precaridade dos mandatos presidenciais foram avolumando a decepção de Maria Veleda, que reconhecia "que não era aquela a República qu havia visionado". Os acontecimentos de 19 de Outubro de 1921, com os assasinatos de António Granja, Carlos da Maia e Machado Santos, fizeram com que renunciasse, "por completo e para sempre a todas as actividades de carácter politico. As desilusões tinham sido muitas e muito grandes, "para que pudesse continuar servindo a causa que ainda hoje me é profundamente simpática, mas que muitos utilizaram como degrau para cada qual satisfazer o seu maquiavelismo e as suas ambições".



Desencantada, Maria Veleda abraçou o fenómeno espirita, muito em voga na década de vinte, colaborando na sua imprensa. Integrou, juntamente com Amélia Cardia, Maria 0'Neil e Madalena Frondoni Lacombe, a redacção da revista de Espiritismo, Orgão da Federação Espirita Portuguesa.

Morreu em 1955, com 84 anos e uma vida plena de luta em prol da justiça, da liberdade, da igualdade, fraternidade para todos, sem excepção.

Sem ela, o nosso mundo seria um local bem pior.

(Texto em Associação de Professores de História, Natividade Monteiro, e blog Lagos da Republica)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

LIVRARIA 107

Hoje fui à Livraria 107 e saí de lá com as lágrimas nos olhos. O final de Agosto aproxima-se e a livraria parece que vai mesmo encerrar as portas. Há uma página no facebook (um livro na livraria 107) com uma iniciativa marcada para o final do dia 1 de Setembro, mas não sei se os amigos da livreria a conseguirão salvar. Perdemos todos e perde a cidade de Caldas da rainha....

terça-feira, 23 de agosto de 2011

FÉRIAS

As férias estão prestes a acabar... leio, descanso, passeio, enfim não faço nada, uma semana na praia da Apúlia,com a familia reunida, uns quilómetros acima da Póvoa do Varzim, um local á beira mar, felizmente ainda não muito desenvolvido, embora lá passem férias muitos e muitos emigrantes, e gentes do interior norte do nosso país, boa comida, boa praia, águas geladas, gente simpática. Dias felizes para recordar.
E daqui a uns duas, volta tudo ao mesmo, ou quase....