Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SETEMBRO: TEMPO DE VINDIMAS

Desde sempre, ou pelo menos desde que existe civilização e agricultura, Setembro é o mês das vindimas, a elas estão associadas as mais variadas tradições, em todo o mundo e também em Portugal.
E desde sempre originou as mais variadas formas de arte....
... e na literatura também...

PETIÇÃO CONTRA TAUROMAQUIA A PATRIMÓNIO CULTURAL DA HUMANIDADE

A Unesco quer considerar a tauromaquia como Património da Humanidade.
A Associação Animal lança hoje uma petição contra tal.
Vamos assinar? e divulgar!
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N14706
Procurem também no facebook.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"SALAZARUDOS E SALAZARENTOS"

Hoje descobri um pequeno texto, com o qual concordo plenamente, no Jornal Metro, edição de 27 do corrente, assinado por A Minoria Silenciosa. Transcrevo na íntegra:
"De certa forma os portugueses, com excepções, e especialmente da faixa etária acima dos 70 são "Salazarudos" porque têm posturas ditatoriais encobertas e latentes de que "Ele" foi um grande homem e que Portugal tinha (juntou) muito ouro, esquecem-se que o mundo global de hoje não se compadece com isso e tudo se move vertiginosamente, "Salazarentos", porque têm falta de ambição e perfeccionismo (vem desde esse tempo), maledicência tipica dessas gerações de acomodados ao "Pai". Esquecendo-se que havia "protegidos", e que era "proibido pensar ou raciocinar, e muito menos falar ou discordar do "Status Quo"."
(A Minoria Silenciosa)

Acrescento eu, que há excepções e embora não pareça elas são muito mais do que pensamos, conheço felizmente muita gente muito acima dos 70 e até 80 e 90s, que são e sempre foram frontalmente antisalazaristas, o meu Pai, para não ir mais longe.

E é preciso também não esquecer uma coisa, "Ele" (Salazar) juntou muito ouro pois a economia portuguesa até 1974, e durante 500 anos era sustentada pelas nossas colónias de África (e durante um certo tempo do Brasil), por isso juntámos muito ouro que não junto à custa do nosso trabalho e do desenvolvimento do nosso país, foi à custa da escravatura e da exploração dos desgraçados dos africanos. Mas também juntámos mas não nos serviu de nada, não desenvolvemos, não o guardámos, desbaratámos tudo, vivemos sempre à grande e à francesa, primeiro à custa de África, depois do Brasil, depois nos anos 70 das remessas dos nossos emigrantes e após o 25 de Abril e da entrada para a CEE, temos vivido à custa dos dinheiros da Europa!
Que é que queremos? Agora não temos nada, destruímos a agricultura, eramos um país rural, destruímos as pescas, eramos um país de pescadores, destruímos as poucas indústrias que tinhamos (sobretudo no Norte), destruímos a nossa marinha mercante, e os nossos estaleiros navais (e éramos um dos melhores do mundo), destruímos as poucas minas que temos!
Que é que nós queremos?
Agora não temos nada.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O TOCADOR DE FLAUTA

O inaudito acontece! Luis Jorge é um sem abrigo que vive nas Caldas da Rainha, dorme num carro, e está todos os dias na zona da Rua das Montras tocando a sua flauta, sempre acompanhado do seu fiel amigo, um cão.
É sossegado, não faz barulho, não suja, não anda a roubar nem a importunar ninguém, quando se vai embora, deixa o espaço sempre limpo, e o seu cão também não incomoda ninguém. A semana passada a noticia surgiu, alguém, que de certeza tem muito maus figados e não gosta de pessoas, decidiu fazer queixa dele e vai daí a PSP exige-lhe uma licença (???!!!) para poder estar na rua e tocar a sua flauta!.
Que tristeza e que pobreza de espirito!
Numa cidade onde pululam os arrumadores de automóveis, onde a insegurança e os assaltos aumentam, onde os automóveis estacionam nos passeios e os trauseuntes têm de andar pelo meio da rua, onde alguns automobilistas circ ulam a velocidades disparatadas mesmo no centro da cidade,onde impera o lixo e a sujidade e a falta de higiene e limpeza das ruas, não se entende muito bem como vão embirrar com um cidadão que teve azar na vida e não incomoda ninguém!
A indignação dos cidadãos tem sido muita e tem-se mostrado mesmo na comunicação social.
Espero que deixem o homem em paz e juntamente com o seu cãozito fazer a sua vida pobre mas sossegada!
Apenas lamento que este tocador de flauta não seja como o flautista de Hammelin, da historia que tocando a sua flauta levou atrás de si todos os ladrões, corruptos, escroques de toda a espécie e os faça cair num abismo sem fundo de onde nunca mais consigam aparecer e importunar-nos a vida!

domingo, 25 de setembro de 2011

EXPOSIÇÃO "A VOZ DAS VITIMAS" (ALJUBE)

Durante 37 anos, de 1928 até 1965, o Aljube serviu de prisão, local de tortura, e assassinio.
Milhares de portugueses por lá passaram.

Até 5 de Outubro deste ano, uma exposição para honrar a sua memória e o seu sacrificio.

Horários: de 3ª a domingo, entre as 10h e as 18h (encerra á 2ª feira.

O Aljube fica em Lisboa, na Rua Augusto Rosa, nº 40, 1100 Lisboa (info@ljube.net)- (http://www,aljube.net/dossier01.pdf)

VERÃO INDIANO

Um belissimo filme inglês de 1983, realizado por James Ivory, com Julie Christie no principal papel e retirado de um romance escrito por Ruth Prawer Jhabvala.

FIM DAS TOURADAS NA CATALUNHA

O Governo da Catalunha proibiu as touradas no seu território. A última tourada já acabou! Activistas dos direitos dos animais manifestaram o seu contentamento e o seu apoio a esta medida.
Parabéns Catalunha! Segue-se o resto do Mundo!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

AS REPUBLICANAS: ADELAIDE CABETE,SUFRAGISTA, REPUBLICANA,PROFESSORA, MAÇON,DEFENSORA DE DIREITOS DOS ANIMAIS


Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete, nasceu em Alcaçova, Elvas, 25 de janeiro de 1867 e morreu em Lisboa em 14 de Setembro de 1935. Ficou conhecida como Adelaide Cabete, e foi uma das principais feministas portuguesas do século XX. Republicana convicta, foi médica obstetra, ginecologista, professora, maçon, publicista, benemérita, pacifista, abolocionista, defensora dos animais e humanista portuguesa.
Foi pioneira na reivindicação dos direitos das mulheres e durante mais de vinte anos, presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, nessa qualidade reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto e em 1912 reivindicou também o direito ao voto feminino, sendo em 1933, a primeira e única mulher a votar, em Luanda, onde viveu, a Constituição Portuguesa.
De origem humilde e orfã, filha de Ezequiel Duarte Brazão e de Balbina dos Remédios Damas, começou a trabalhar muito nova na apanha da ameixa e trabalho de serviço doméstico em casas ricas de Elvas.
A sua familia contava-se entre as muitas do Alentejo profundo cujos magros proveitos não permitiam assegurar aos filhos uma educação primária que os excluisse do trabalho árduo necessário ao sustento da casa.
Casou com o sargento Manuel Fernandes Cabette, republicano que a ajudava nas tarefas domésticas e que a lançou na militância republicana e feminista e a incentivou a estudar,assim em 1889 com 22 anos conseguiu fazer o exame de instrução primária e em 1894 concluiu o curso liceal.
Em 1895 mudam-se para Lisboa, onde Adelaide se matricula no ano seguinte na Escola Médico Cirurgica, concluindo o curso de 1900 com a tese "Protecção às Mulheres grávidas pobres" como meio de promover o desenvolvimento fisico das novas gerações.
Torna-se médica obstetra e ginecologista com consultórios na Baixa.
Sofreu coma falta de liberdade no período da Ditadura Militar e, em 1929, partiu para Angola ensaiando um novo começo.
Adelaide teve uma vida singular e um papel relevante em diversos aspectos.
Republicana militante, tal como o marido, participou activamente na propaganda que antecedeu a mudança de regime em 5 de Outubro de 1910, quando escrevia contra o monarquicos e os jesuitas denotava os seus ideias republicanos, confirmados no interior da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, a qual esteve ligada, tinha ideias progressitas e muito avançadas para a epoca; Alguns factos emolduram a sua vida publica nesses tempos, quando em 1910 com 2 companheiras coseu e bordou a bandeira nacional hasteada na implantação da República, na Rotunda, em Lisboa.
Em 1912 reivindicou o voto das mulheres, criou e integrou organizações feministas neles exercendo diversos cargos, foi durante cerca de 20 anos Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, que fundou juntamente com outras republicanas de renome, como estas funda também a Liga Portuguesa Abolocionista, as Ligas Bondade, organismos que também dirigiu.
Foi médica e professora no Instituto Feminino de Odivelas (conhecido popularmente por "meninas de Odivelas" tendo regido a disciplina de Higiene e Puericultura, tendo também leccionado um curso com o mesmo nome na Universidade Popular Portuguesa.
Partipou em diversos congressos alguns deles internacionais, escreveu dezenas de artigos para vários jornais e revistas da época.
Benemérita, defendeu sempre as mulheres grávidas e pobres, as crianças e as prostituras, e não obstante isso era radical e conservadora em assuntos de decência feminina, mostrando-se contrária à importação de moda feminina, criticando as saias curtas e recomendando o uso da saia até um palmo do chão.
Humanista, aplaudiu o encerramento de tabernas e manifestou-se contra a violencia nas touradas, contra o uso de brinquedos bélicos e outros assuntos que se revelariam temas vanguardistas para a época, e que ainda se mantêm actuais.
Em 1929 vai com o sobrinho para Luanda, desiludida com a nova situação politica do país com a implantação do Estado Novo em Portugal, dedica-se à medicina e envolve-se em polémicas pela defesa dos indigenas, em 1933 foi a primeira e unica mulher a votar a Constituição Portuguesa que instala o Estado Novo ao qual se opunha fortemente, regressa a Portugal já doente e debilitada em 1934 tendo vindo a falecer repentinamente na freguesia de S. Sebastião da Pedreira em Setembro 1935.
Dinâmica, de forte personalidade e grande frontalidade, o seu dinamismo não a deixou dormir sobre os louros conquistados, a sua acção não se limitou a teorias, era muito bondosa, era conhecida como muito carinhosa , vestia simplesmente, era objectiva na linguagem, e deixou-nos uma obra muito importante.
Foi iniciada em 1 de Março na Loja Feminina (Maçonica) ""Humanidade" do Rito Escocês Antigo, tendo optado pelo nome simbólico de Louise Michel,(heroina da Revolução francesa) mais tarde, acabaria por se ir afastando gradualmente, por não ser reconhecida a igualdade entre membros masculinos e femininos.

O seu consultório funcionou também como ponto de apoio às multiplas actividades de indole filantrópica, sendo ainda sede do Conselho nacional das Mulheres Portuguesas.

Como mostra de reconhecimento e a titulo póstumo recebeu a 10 de Junho de 1995 a Medalha e Colar de Grande Oficial da Ordem da Liberdade. A homenagem de que foi alvo espelha bem a Humanidade - seu lema de vida - e o amor à Liberdade - a esteira que os seus passos percorreram na demanda da justiça e da equidade.

Está sepultada no cemitério do Alto de S. João em Lisboa.

(Retirado de um texto de Isabel Lousada)