Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MULHERES EM GRUPO CONTRA A CORRENTE

No passado dia 12 do corrente mês, Maria Lucia Serralheiro promoveu o lançamento do seu último livro e trabalho sobre as lutas e organizações das mulheres portuguesas nos anos 20, 30, 40 e 50 do século XX: Mulheres em grupo contra a corrente, no Museu da República e da Resistência, em Lisboa (no Bairro Santos).
Maria Lucia Serralheiro nasceu em 1951 na freguesia da Benedita, Alcobaça.
É professora no agrupamento de Escolas da Benedita, foi cooperante em Timor Leste, é sócia da UMMAR (União das Mulheres Alternativa e Resposta).
Tem publicado vários livros e trabalhos sobre a temática das mulheres em Portugal.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CORES E IMAGENS DE MACAU











QUEM SEMEIA VENTOS COLHE TEMPESTADES

... de salientar e sublinhar que ontem durante o dia centenas de trabalhadores gregos e espanhois, mais concretamente da Catalunha, se manifestaram em frente aos consulados de Portugal nas suas cidades, em total solidariedade com o trabalhadores portugueses em greve e com o Povo Português em geral.
É assim que conseguimos lá chegar!












quinta-feira, 24 de novembro de 2011

AS REPUBLICANAS: CAROLINA MICHAELIS (1851-1925)




Carolina Whilhelma Michaelis de Vasconcelos nasceu em Berlim no dia 15 de Março de 1851, mas pelo casamento tornou-se portuguesa de alma e coração. Teve uma educação refinada,o pai Gustavo Michaelis, era professor de matemática, era a mais nova de 5 irmãos, até aos 16 anos estudou na Escola Superior Feminina Municipal de Berlim e como nessa época não eram admitidas mulheres nas universidades, continuou os seus estudos em casa com um professor particular; estudou linguas eslavas e arabes para conseguir decifrar e estudar manuscritos antigos,literatura greco-romana, linguas semitas e românicas (nos quais se inclui o português, actualmente na Universidade de Coimbra encontram-se manuscritos seus e cadernos de apontamentos desses tempos), com apenas 16 anos começou a publicar em alguns jornais alemães alguns trabalhos seus, traduziu do alemão para o castelhano o Novo Testamento, por essa época começa a corresponder-se com Alexandre Herculano, Teófilo Braga e Oliveira Martins, espantados com a erudição daquela jovem alemã, conheceu o seu futuro marido por correspondência e por causa duma polémica literária da epoca, Joaquim de Vasconcelos (que também era arqueólogo amador) foi a Berlim e viajou por toda a Europa até estalar a guerra Franco-Prussiana (1870-1871),
Carolina foi professora, filóloga da lingua portuguesa, critica literária, escritora, lexicógrafa, investigadora e a primeira mulher a leccionar numa universidade portuguesa, na Universidade de Coimbra. Foi também muito importante como mediadora e divulgadora entre as culturas portuguesa e alemã.
Carolina e Joaquim António da Fonseca Vasconcelos, musicólogo e historiador de arte, casamento esse do qual nasceu um filho único que mais tarde seria engenheiro de máquinas.




O trabalho de investigação de Carolina levou-a a contactar com inúmeros grandes nomes da cultura e intelectualidade portuguesa da sua época, como Eugénio de Castro, Antero de Quental, João de Deus, Henrique Lopes de Mendonça, José Leite de Vasconcelos, o Conde de Sabugosa, Teófilo Braga, Trindade Coelho, Anselmo Braamcamp Freire, Sousa Viterbo, Alexandre Herculano, os médicos e escritores António Egas Moniz e Ricardo Jorge, os espanhois Mendez y Pelayo e Menendez Pidal, entre muitos outros sem falar de muitas personalidades francesas, inglesas e alemãs.
A sua obra é vasta e variada:
Poesias de Sá de Miranda, 1885
Historia da Literatura Portuguesa, 1897
A Infanta D. Maria de Portugal e as suas Damas,- 1521-1577), 1902
Cancioneiro da Ajuda (2 volumes) 1904
Dicionário Etimológico das Linguas Hispanicas
Estudos sobre o Romanceiro Peninsular: Romances Velhos em Portugal
As Cem melhores Poesias Liricas da Lingua Portuguesa, 1914
A Saudade Portuguesa, 1914
Notas Vicentinas: Preliminares de uma Edição Critica das Obras de Gil Vicente. 1920-1922
Autos Portugueses de Gil Vicente y de la Escuela Vicentina, 1922
Mil Provérbios Portugueses


Carolina chegava a trabalhar 18 horas por dia, mas conciliava muito bem a sua vida de estudiosa com a vida de familia e como avó. Muitas veses, como conta o seu neto, na sua casa de Cedofeita, vestia o avental e descia à cozinha onde era uma eximia cozinheiro e doceira, tendo o seu neto ainda guardados alguns livros cm receitas de cozinha da avó Carolina.
O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas de que Carolina foi sócia honorária homenageou-a com um número especial da sua revista. Os CTT também a honageram com uma edição especial de selos juntamente com mais sete grandes figuras da cultura portuguesa.
Carolina Michaelis dirigiu a revista Lusitânia que foi no seu tempo uma das mais importantes publicações sobre a cultura portuguesa.
Foi uma mulher extraordinaria e extremamente influente na sua época, com uma imensa capacidade de trabalho, excepcionalmente culta e erudita.
Deixou-nos, ao seu país por adopção, um legado extraordinário e extremamente rico e importante que bem fariamos em conhecer e respeitar melhor!
É com seres humanos desta cepa que o mundo avança e progride.

1º DEZEMBRO de 1640: DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

"As armas e os barões assinalados,
que da ocidental Praia Lusitana,
por mares nunca de antes navegados,
passaram ainda além da Taprobana,
em perigos e guerras esforçados,
mais do que prometia a força humana,
e entre gente remota edificaram
novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
daqueles Reis, que foram dilatando
a Fé, o Império, e as terras viciosas
de África e de Ásia andaram devastando;
e aqueles, que por obras valerosas
se vão da lei da morte libertando;
cantando espalharei por toda a parte,
se a tanto me ajudar o engenho e a arte."
(Os Lusíadas, Luis de Camões, Canto I)

No dia 1 de Dezembro celebra-se a revolta iniciada em 1640 contra a ocupação de Portugal por Espanha, pela dinastia filipina.
Nesse tempo a ideia de recuperar a independência ganhava cada vez mais terreno e a ela iam aderindo todos os grupos sociais do Povo aos nobres passando pelo clero e pelos burgueses.

Os Burgueses estavam extremamente desiludidos e empobrecidos com os ataques aos territórios portugueses e aos navios que transportavam os seus produtos que vinham das colónias portuguesas.A concorrência dos Holandeses, Ingleses e Franceses deixava-os arruinados.

Os nobres descontentes viam os seus cargos ocupados pelos Espanhois, perdiam privilégios, eram obrigados a alistar-se no exercito espanhol e a suportar as despesas.

Desde 1580 Portugal era apenas uma provincia espanhola, governada de longe, o rei a Corte estavam em Madrid.

Então, lentamente foi nascendo a ideia de reconquistar a independência e expulsar os espanhois e parente as desigualdades, as injustiças e a repressão a revolta surda ia crescendo.

PORQUE PERDEMOS A INDEPENDÊNCIA?

Décadas antes, D. Sebastião, um jovem rei aventureiro, habituado a ouvir as façanhas das cruzadas e histórias de conquistas além mar, quis conquistar o Norte de África. Organizou-se um exército de centenas de milhares de homens, sobretudo jovens, uma geração inteira seguiu o seu rei;

Em Alcacer-Quibir, Marrocos, defrontaram-se com o exercito marroquino e os portugueses foram derrotados. Centenas de milhares dos nossos perderam a vida e os poucos que sobreviveram forem feitos prisioneiros, o Rei D. Sebastião desapareceu, gerando uma lenda que perdurou durante séculos, que haveria de regressar numa manhã de nevoeiro. E durante muitos anos, aventureiros e loucos, apareciam em Portugal clamando serem o rei desaparecido, e muitos pagaram isso com a vida.

Como D. Sebastião não havia ainda casado, com o seu desaparecimento deu-se uma crise dinástica. Foi nomeado o Cardeal D. Henrique tio de D. Sebastião) como sucessor, mas este já era bastante velho e viria a morrer pouco depois.

Nas Cortes de Tomar de 1581, o rei Filipe II de Espanha é aclamado Rei de Portugal, jurando os foros, privilégios e mais franquias do Reino de Portugal. Assim durante seis décadas Portugal partilhou um rei com Espanha, o que foi designado como "o dominio filipino".

Com Filipe II, I de Portugal, não fora atingida de forma grave a autonomia politica e administrativa do nosso Reino. Mas, com o seu sucessor, Filipe II de Espanha,II de Portugal, começam os actos de desrespeito ao juramento de Filipe I em Tomar. Em 1610 houve um timido sinal de revolta contra o centralismo castelhano, na recusa dos regimentos de Lisboa em obedecer ao marquês de San Germano que de Madrid havia sido enviado para comandar um exército português.


Houve várias revoltas durante esses 60 anos mas foram todas reprimidas, como a Revolta do Manuelinho, como ficou conhecida, a repressão que se lhes seguiu apenas fazia aumentar o desejo da recuperação da independência.



Inicia-se então uma politica - por parte do Rei de Espanha - que visava a longo prazo a anulação total da autonomia de Portugal, entre outras coisas com a realização de uma cuidadora politica de casamentos (dos nobres)para confundir e unificar os vassalos de ambos os povos; fazendo o rei corte temporária em Lisboa, abandonando totalmente a letra e o espirito das cortes de Tomar;



A 7 de Junho de 1640, a Catalunha revolta-se contra o Rei de Espanha pretendendo também alcançar a sua independência. Filipe IV, III de Portugal não conseguiu fazer frente a duas revoltas ao mesmo tempo além de que se encontrava também em guerra com Inglaterra que na altura era governada por Isabel I.

OS CONJURADOS

Em 12 de Outubro de 1640, em casa do fidalgo D. Antão de Almada, hoje chamado Palácio da Independência (em Lisboa), reuniram-se D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo e seu irmão Jorge de Melo, Pedro de Mendonça Furtado, António de Saldanha e João Pinto Ribeiro entre outros. Decidiram chamar o Duque de Bragança que se encontrava em Vila Viçosa para que este cumprisse o seu dever de defesa da autonomia e independência de Portugal assumindo o ceptro e a Coroa de Portugal.



Os conjurados eram originalmente 40 homens da nobreza portuguesa, sendo o grande impulsionador da causa João Pinto Ribeiro. Tiveram também apoio dos Jesuitas portugueses nomeadamente do Padre António Vieira e do Doutor D. André de Almada.





Na manhã de 1 de Dezembro desse ano, eclodiu por fim a revolta em Lisboa, (imediatamente apoiada por muitas comunidades urbanas e concelhos rurais por todo o país), os 40 conjurados invadiram o palácio da Duquesa de Mantua (então governante de Portugal), obrigando-a a fugir, Miguel de Vasconcelos, secretário da Duquesa e que ficará para sempre na historia de Portugal conhecido como traidor, pois que como português defendia totalmente os interesses dos espanhois, tentou fugir mas foi apanhado pelos revoltosos e atirado da janela do palácio abaixo, obtendo morte imediata, claro, após o que gritaram para o povo que acorria e davam vivas á liberdade, levando à restauração da nossa independência e dando o poder ao Duque de Bragança, que ficou conhecido como D. João IV, dando inicio à 4ª e última dinastia de Portugal.



Mas Espanha não ficou satisfeita e invadiu com exercitos Portugal por várias e diversas vezes, sendo sempre rechaçados os seus exércitos. A Guerra da Restauração como ficou conhecida arrastou-se por 28 anos, quando finalmente em 1668 as duas partes assinaram oficialmente a paz através do Tratado de Lisboa.



O Duque de Bragança era casado com uma nobre espanhola, D. Luisa de Gusmão, mas esta desde muito cedo apoiou o marido e como Rainha de Portugal sempre defendeu os interesses do seu país pelo casamento. Foi uma grande Rainha.




Nessa inesquecível manhã, várias nobres e damas de Portugal tiveram um importante papel não só apoiando e incentivando os seus maridos, mas também como D. Filipa de Vilhena e D. Mariana de Lencastre, que sendo viúvas, e para que os seus filhos muito jovens pudessem combater pela liberdade do seu país, armaram-nos elas próprias cavaleiros.



Os Portugueses vivem actualmente momentos muito maus e depressivos. É lamentável e perigoso que a grande maioria das gerações mais jovens praticamente desconheçam a sua historia recente e passada. Precisamos de novo do espirito de 1640. Audácia, coragem, abnegação, espirito de sacrificio, honra e dignidade e orgulho em ser português, em sermos donos do nosso próprio destino e da nossa Pátria.



No próximo 1º de Dezembro será (ainda) feriado, mais um feriado, com comemorações solenes de alguns governantes a que a maioria do povo fica alheia enquanto todos os Migueis de Vasconcelos (em 1640 era um agora são às centenas) andam por aí em administrações de bancos, no FMI, em Bruxelas, a negociar nas nossas costas e a decidir o nosso futuro e sobretudo a enriquecerem à nossa custa.



ESPIRITO DE 1640

Somos um dos Povos mais antigos da Europa, somos uma das nações mais antigas da Europa, Coimbra foi uma das primeiras universidades da Europa e para cá, nesse tempo, vinham estudar e ensinar todos os grandes cérebros e professores de todo o mundo conhecido.

Somos um Povo de agricultores, de pescadores, de marinheiros, de construtores de barcos, de comerciantes, de poetas, de escritores, de artistas, de musicos, dramaturgos, pintores, compositores, de mestres e professores, de matemáticos, de artifices e artsãos hábeis, de operários, de gente rude e simples, laboriosa, quando emigramos somos considerados os melhores trabalhadores e respeitados por todos, não há razão para nã nos orgulharmos da nossa historia, do nosso passado, do nosso povo e da nossa Pátria. Vivemos tempos dificeis e os portugueses têm de decidir o que querem fazer. Temos quase 900 anos de historia e já passámos por muitas e graves dificuldades e esta é mais uma, e contra ventos e marés saberemos, creio, sairmos desta de cabeça erguida!
A retirada (proposta) do actual governo dos feriados do 1º de Dezembro e também do dia 5 de Outubro, dois feriados extremamente importantes da Historia de Portugal, são além de outras coisas um insulto ao Povo Português e à Historia de Portugal.