Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

sexta-feira, 30 de março de 2012

FERREIRA DA SILVA: UM ARTISTA NA CIDADE

Ferreira da Silva nasceu em 1928 no Porto. Ali iniciou a Escola Primária a qual viria a concluir em Coimbra, quando a familia para ali se mudou em razão do trabalho de seu pai, litógrafo e desenhador gráfico. Nesta cidade o jovem Ferreira da Silva ingressou na escola Técnica Avelar Brotero, onde foi aluno de José Contente, desenhador, pintor, gravador e de António Vitorino, aguarelista, natural de Caldas da rainha e responsável pelo curso de pintura cerâmica. É também em Coimbra que começa a trabalhar, ainda adolescente, como pintor na Coimbra Frutuoso, localizada nas Lajes. Seguidamente vai até ao Bombarral trabalhar na Cerâmica Bombarralense, lá pelos seus 16 anos. Jorge de Almeida Monteiro, director técnico da mesma, apercebe-se da sua vocação e animou-o pondo á sua disposição uma prensa de gravura. Monteiro recebia as visitas dos artistas Julio Pomar e Alice Jorge, Vasco Pereira da Conceição e Maria Barreira. Os dois primeiros interessavam-se por cerâmica. O jovem Luis Ferreira da Silva travou conhecimento com o casal. Contactou igualmente com João Fragoso que tinha vindo orientar o desenho de uma produção de azulejos destinada ao novo quartel das Caldas. O ambiente cultural que se respirava no circulo de Almeida Monteiro era marcado pelo neo-realismo. Ferreira da Silva identifica-se com esta corrente estética e ideológica. Pomar aprecia os seus trabalhos na gravura e leva alguns até aos salões da Sociedade Nacional de Belas Artes. No Bombarral manetevê-se 4 anos até ao serviço militar. Regressando após o mesmo, mas por pouco tempo pois a fábrica sofreu um incêndio. Encontrou trabalho em Alcobaça como pintor cerâmico primeiro na cerâmica da Vestiaria, a Vestal onde se fazia a chamada louça de Alcobaça, e depois na Olaria de Alcobaça, empresa de que o Prof. Vieira natividade era um dos sócios. Pinto Ribeiro, fundador e director da Fábrica Secla de Caldas da Rainha, descobriu-o então e convida-o para chefiar a secção de pintura. A Secla havia sido fundada em 1947, era uma grande empresa, uma das maiores faianças na região e nela respirava-se uma atmosfera mais evoluída e exigente tecnica e artisticamente. Isso atraiu-o. Estava-se em 1954. Na Secla ferreira da Silva conheceu Hansi Staell que desenhava modelos para produção, A artista de origem hungara, consolidara uma viragem cultural na empresa, que levara ao abandono do padrão tradicional da louça das Caldas em favor de novos conceitos de design.
Fora do rigido horário laboral ferreira da Silva prosseguia a sua busca de um espaço mais pessoal e criativo. Beneficiou então da experi~encia e camaradagem de Hernani Lopes, professor da Escola Comercial e Industrial caldense, um excelente pintor,discipulo de Abel Manta e que frequentara as aulas de Vasquez Dias em Madrid. reencontrou Julio Pomar que veio atéàs Caldas fazer um mural para o café Central e na ocasião frequentou o Studio da Secla para realizar algumas peças de ceramica. Em 1957 concorreu à Exposição de Artes Plásticas na Gulbenkian e foi seleccionado para a secção de gravura. Surgiu assim pela primeira vez integrado no lote das principais figuras das artes portuguesas. Este estatuto entrou em choque com o seu lugar na fábrica, onde lhe competia basicamente, reproduzir com fidelidade os modelos imaginados por outros. Sai da Secla e regressa alguns anos depois, ocupando inicialmente uma pequena oficina ao lado do laboratório onde tinha trabalhado Hansi Stael. Mais tarde teria autorização da empresa para contratar um oleiro para trabalhar consigo. Oficina essa a que deu o nome de "O Curral". Derreira da Silva define um estilo, na escultura cerâmica ou em metal, tal como na gravura. O autor manifesta um gosto predominante pelos materiais que oferecem resistência, pelas formas possantes, pelas decorações esgrafitadas, pelas patines obtidas a partir de engobes pretos e vidros de efeito metálico. Em 1961 é seleccionado para a II Exposição organizada pela Gulbenkian e a peça com a qual está presente é saudada pela critica. Em 1964 expõe na galeria 111 em Lisboa. Nesse mesmo recebe o Prémio Nacional de escultura Soares dos Reis. O jornal de Letras e Artes dedica-lhe uma grande entrevista. Em 1967 recebe uma bolsa da Fundação Gulbenkian. Parte então para Paris onde frequenta a Escola de manufactura. Mas o ambiente de Paris não o seduz e regressa.Foi então influenciado pela obra cerâmica de Picasso. Em 1970 começa uma outra experiência, uma sociedade para um fábrica de grés, a Ceramex, na Benedita. Continua em 1980 na Secla, regressando de novo às Caldas, começando um longo e frutuoso trabalho com o Cencal. Responde também a grandes encomendas para organizações públicas e privadas, começando então a trabalhar no azulejo. Em 1999 encontrou a Molde uma inovadora fábrica de faiança nas Caldas. Em 2002 aceitou o repto da Câmara de Reguengos de Monsaraz. Desenvolve também o vitral. As suas obras são mostradas ma Galeria Osiris da câmara Municipal de Caldas da rainha em Janeiro de 2006.
Muitas das suas obras fazem parte da cidade de Caldas e podemos admirá-las nos mais diversos locais. É um homem simples, que pode ser visto amiudadas vezes na cidade, passeando e observando as coisas e as pessoas. (O texto é de João B. serra, prof. da escola Superior de Artes e Design das Caldas da rainha)

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