Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

sexta-feira, 9 de março de 2012

III CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA - AVEIRO 1973

O III Congresso da Oposição Democrática realizou-se em Aveiro, entre 4 a 8 de Abril de 1973.
Cerca de 3 mil pessoas participaram activamente nomeadamente durante o sábado (dia 8).
Exigiam:
Libertação imediata e incondicional de todos os presos politicos,
fim da censura e liberdade de imprensa,
fim imediato das guerras de agressão contra os Povos de Angola, Guiné e Moçambique,
liberdade de reunião, de criação de partidos politicos, de associação,


Nos trabalhos participaram as mais diversas e diferentes personalidades que se opunham ao regime do Estado Novo, entre muitos outros cito: Medeiros Ferreira, Alberto Vilaverde Cabral, Sottomayor Cardia, José Magalhães Godinho, Gilberto Limdin Ramos, H. Barrilaro Ruas, António Duarte Arnaut, Gaspar Teixeira, Papiniano Carlos, Manuel sertório, José Manuel Tengarrinha, A.H. de Oliveira Marques, Fernando Sylvan. Vinicio Alves da Costa e Sousa e muitos mais.
Muitos que não puderam estar presentes, como Ruy Luis Gomes, Maria Lamas, Vitor Vengorovius, enviaram mensagens de saudação, assim como também alguns grupos de trabalhadores e operários portugueses emigrantes em França.
Os anteriores Congressos haviam sido realizados anos antes no âmbito das "campanhas para as pseudo-eleições" que o Estado Novo era obrigado a realizar.
Nesse ano, em Abril de 1973, os organizadores decidiram realizar uma manifestação de manhã, com todos os participantes que se concentraram numa praça de Aveiro e que depois se iria dirigir para o teatro onde estavam a ser realizados os trabalhos.
Muita gente, como eu, trabalhava durante a semana, por isso no dia 7 ao fim do dia começaram a chegar a Aveiro dezenas e dezenas de camionetas de aluguer e também muita gente que disponibilizou os seus carros pessoais, muitos de nós acamparam em casas particulares de cidadãos que puseram as suas casas à disposição, visto que como é obvio não havia muito dinheiro para hoteis.




Passei a noite mal dormida em casa de uma familia da qual já nem me lembro, eramos um grupo enorme, levantámo-nos bem cedo, banho tomado e rua à procura de um local para o pequeno almoço. Havia uma enorme tensão no ar, cada vez chegavam mais carros e camionetas, e ... policia de choque também. Aveiro nesse fim de semana foi uma cidade cercada, quando a manifestação se iniciou já sabíamos qual seria o seu fim, e de facto mal tinhamos andado uns poucos de metros, "eles" atacaram com uma brutalidade sem precedentes!Com raiva e com ódio! Lembro-me de ter caido e de ser pisada várias vezes por quem vinha atrás de mim (ver aqui no blog:Memória do Zeca).Nunca mais esquecerei, foi o Ze Afonso que voltou atrás e me ajudou a levantar, lá corri o melhor que pude mas fui apanhada mais à frente e espancada, quando consegui escapar refugiei-me num café onde já se encontravam duzias de outros.Quando acalmou lá nos dirigimos para o Teatro onde se iria realizar o Congresso, que se realizou apesar de tudo, num meio de um estado de espirito de revolta e de tenacidade para acabar de vez com a longa ditadura!E por isso, hoje qualquer cidadão em Portugal pode manifestar-se à vontade na rua contra seja lá o que for! Valeu a pena!

4 comentários:

  1. Eu estive lá. Do primeiro ao último dia. Fui na boleia com o dr. Custódio.Na pr imeira noite dormi no parque de campismo da Barra. Depois num quarto de uns camaradas do jornal República e na última noite numa tenda bem perto do Teatro.



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  2. Eu fui de camioneta alugada, era toda só para nós, maioritariamente estudantes e jovens trabalhadores. Dormi numa casa particular, já não sei bem de quem, saimos cedo, comemos qualquer coisa e fomos para a manifestação. Depois, já sabemos o que aconteceu. Só depois é que fui para o edificio onde decorria o Congresso.
    Natercia Pedroso

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  3. E na manhã de domingo fugindo da carga policial, também me refugiei num café que ficava do lado direito da Av. Lourenço Peixinho. Esse café tinha outra porta, para uma rua contígua. Foi por ai que fui e encontrámos mais polícias , dois ou
    três. Lembro de olhar para o lado e o dr Vasco da Gama Fernandes me dizer: "estes são poucos já não batem". Bateram! Eu tinha 19 anos , era refractário do exército, pensava dar o "salto" . E veio Abril...

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  4. Também me refugiei num café,talvez até fosse o mesmo, não sei, após ter "levado" da policia de choque à grande e à francesa, estive lá um bocado a acalmar até seguir para o Teatro onde decorria o congresso.

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