Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ARY DOS SANTOS: AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

MÁRIO VIEGAS (1948/1996)

António Mário Marques Pereira Viegas nasceu em Santarém, foi um dos maiores e melhores actores de teatro da sua geração, despertando para esta arte ainda muito cedo, estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e seguidamente no Conservatório Nacional, estreando-se no teatro Experimental de Cascais.
Fundou 3 companhias teatrais, a Companhia Teatral do Chiado foi a última. Actuou em vários países, Brasil, Moçambique, Países Baixos, Espanha, Macau; encenou vários autores clássicos, recebeu o Prémio da Casa da Imprensa, Associação Portuguesa de Criticos de Teatro, Secretaria de Estado da Cultura; foi também algumas vezes premiado no estrangeiro.
Participou também em vários filmes portugueses tais como: o Rei das Berlengas, de Artur Semedo, Azul, Azul, de José Caetano, Reporter X, de José Nascimento, A Divina Comédia, de Manuel de Oliveira, Rosa Negra, de Margarida Gil, Sostiene Pereira, de Roberto Faenza, no qual contracenou com Marcelo Mastroanni,  e em 3 filmes de José Fonseca e Costa: Kilas, o mau da fita, Sem sombra de pecado e A mulher do próximo, e ainda os Cornos de Kronos.
Fez vários recitais de poesia, declamando Fernando Pessoa, Luis de Camões, Cesário verde, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Ruy Belo, Eugénio de Andrade, Bertolt Brecht, Pablo Neruda, entre outros.
Divulgou os nomes de Pedro Oom e Mário Henrique Leiria.
Dois programas de televisão, Palavras ditas e Palavras vivas, deram-no  a conhecer ao grande público e a divulgar o teatro e a poesia e os poetas em Portugal. Foi também colunista do Diário Económico onde escrevia sobre teatro e humor. Publicou ainda uma autobiografia intitulada Auto fotobiografia (1995).
No ano de 2001, o Museu Nacional do Teatro dedicou-lhe uma exposição: Um rapaz chamado Mário Viegas.
A Companhia de Teatro por si fundada, detém o seu nome: Teatro Mário Viegas.



MÁRIO VIEGAS - OS "AIS"

sexta-feira, 27 de abril de 2012

JOSÉ AFONSO, ANDARILHO, POETA E CANTOR

A Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo em Caldas da Rainha, organiza uma pequena e simpática exposição sobre a vida e obra de um dos grandes poetas e trovadores e interpretes da nossa Historia mais recente: José Afonso, a qual estará patente na sede da Junta até dia 24 do mês de Maio.



MILY POSSOZ (1888-1966)


MIGUEL PORTAS (1958/2012)

Deputado no Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda, ex-militante do Partido Comunista, escritor, jornalista, um homem extremamente simpático, controverso e simultaneamente consensual, faleceu na tarde do passado dia 24 de Abril, em Bruxelas, de um cancro no pulmão contra o qual lutava há já algum tempo.


O filho mais velho do arquitecto Nuno Portas e da economista e jornalista Helena Sacadura Cabral, foi um menino prodigio. Por volta dos 13 anos já participava em assembleias gerais de estudantes nas quais intervinha, citando Mark, Engels, Lenine, deixando a assistência estupefacta e muda. Frequentava também muitas vezes a Cooperativa Devir, perto  da Praça Marquês de Pombal, aliás, se a memória não me engana, foi aí que o conheci pela primeira vez, na  época, 1972, 1973, era onde se reuniam e encontravam todos os opositores ao regime fascista (até, claro, a mesma ser encerrada pela Pide)


Lembro-me dele nessa época,  olhos azuis, muito louro, sardento, espigado (como disse Francisco Louçã), extremamente simpático, curioso,afável, doce,  muito inteligente e culto, simples, alegre, preocupado com as pessoas, apaixonado pela vida e pelas suas coisas boas, optimista;

Aos 15 anos foi preso pela Pide, creio que por distribuir panfletos duma organização estudantil do ensino secundário, Entretanto deu-se o 25 de Abril, no final dos anos 80 e inicios de 90, o Miguel Portas foi um dos muitos militantes do PCP que abandonou o Partido, fundou a Plataforma de Esquerda, o I.N.E.S.,  e mais tarde fundou o Bloco de Esquerda.


Foi jornalista do Expresso, na Vida Mundial, fundou o Jornal Já!.

Lembro-me de falar com ele praticamente pela última vez, há uns anos, quando da apresentação do Bloco de Esquerda na cidade de Caldas, as pessoas reuniram-se num pequeno café bar, perto da minha casa.


Na tarde de 24 tomei conhecimento com tristeza da sua partida.

Faz-nos falta nestes tempos dificeis e conturbados um homem como o Miguel Portas, extremamente culto, inteligente, sério, corajoso.


um abraço Miguel, até sempre!

terça-feira, 24 de abril de 2012

ZECA AFONSO: GRANDOLA VILA MORENA

E DEPOIS DO ADEUS (PAULO DE CARVALHO)

DESFILE


Este ano vou descer a avenida, há muitos anos já que o não faço, por várias razões, mas este ano e dado os acontecimentos desde há cerca de um ano em Portugal com as decisões e posturas deste governo, creio que é um dever civico participar no desfile do 25 de Abril.
Este ano os militares que fizeram e participaram na Revolução, assim como algumas personalidades e a associação 25 de Abril já informaram que não vão participar nas comemorações oficiais, o grupo que nos governa actualmente já não tem nada, absolutamente nada a ver com o 25 de Abril, muito antes pelo contrário, estão a destruir com uma fúria desconhecida no nosso país todas as suas conquistas, o Serviço nacional de Saúde, a Escola Pública para todos, as regalias e direitos básicos dos trabalhadores.

COMUNIDADE BRASILEIRA EM PORTUGAL SAÚDA O 25 DE ABRIL

A Casa do Brasil, em Lisboa, saúda a Revolução dos Cravos de 1974 e convida os lisboetas a aparecerem por estes dias no Largo de S. Pedro de Alcantara onde poderão apreciar a tradicional caipirinha assim como pratos tradicionais brasileiros.

AS SENHAS DO 25 DE ABRIL

E depois do adeus, canção interpretada por Paulo de Carvalho, com letra de José Niza e musica de José Calvário, foi a vencedora da 12ª edição do Festival da Canção em 1974 e representou Portugal em Brighton, Reino Unido em 6 de Abril, ficando   quase em último lugar.
Vista à distância dos anos, 38 anos, parece uma despedida ao velho regime do Estado Novo. Foi escolhida pelo militares do Movimento das Forças Armadas, M.F.A.como a primeira senha da revolta do 25 de Abril  por seu uma canção muito popular, sem nenhuma conotação politica e que não levantaria suspeitas de qualquer género quando tocada na radio.
Exactamente às 22h55 do dia 24 de Abril de 1974, e como previamente combinado com os profissionais da radio, a canção passou nos Emissores Associados de Lisboa (que já não existem) dando ordem às tropas revoltosas para se prepararem e estarem a postos.
Pouco depois, às 0h35 já  25 de Abril, passava na Radio Renascença, a emissora católica portuguesa, a canção Grandola Vila Morena; era o segundo sinal para confirmar as operações da Revolução. A partir desse momento já nada os poderia deter. A Revolução estava em marcha e as tropas avançavam para Lisboa e para postos chave do regime.
Grandola Vila Morena é uma canção de Ze Afonso, proibida de tocar pela Censura, em 29 de Março de 1974 foi cantada no encerramento de um histórico espectáculo no Coliseu de Lisboa, a abarrotar de gente e em que cantaram todos os então chamados baladeiros e cantores anti regime. Na assistência estavam muitos militares do M.F.A que viriam a escolher simbolicamente a Grandola como a segunda senha para a revolução.
Quando Zeca cantou a Grandola, o Coliseu ia caindo com o entusiasmo. Era já mesmo o fim do regime, já ninguém tinha medo de nada e todos sabíamos que tudo iria acabar dentro em breve. estava no ar!

Na foto uma homenagem à canção na vila alentejana de Grandola, de cujos habitantes a mesma canção descreve.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

POGROOM

No dia 19 de Abril do ano de 1506, decorriam as comemorações da Páscoa,  no reinado de D. Manuel I, e durante os dias que se seguiram, houve em Lisboa, uma chacina sangrenta de milhares de judeus, os habitantes judeus da cidade, foram perseguidos, arrancados das suas casas, homens, velhos, mulheres, crianças, doentes, foram espancados até à morte, apedrejados, enforcados, torturados, queimados vivos, tudo o que de horrível a imaginação humana consegue realizar, a populaça atiçada por frades e padres  fanáticos entregou-se a uma verdadeira orgia de violência e sangue, contaram-se cerca de 3.000 pessoas mortas. Tudo perante a passividade dos guardas do rei e dos grandes desse tempo, que assistiram a tudo impávidos e serenos como se nada fosse com eles. A chacina e a violência duraram vários dias. Mas a cidade nunca mais voltou a ser a mesma.

O largo referido é o Largo de São Domingos, bem no coração da cidade velha, onde teve lugar a maior parte e mais sangrenta dos acontecimentos desse(s) dia(s).






quarta-feira, 18 de abril de 2012