Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

terça-feira, 24 de abril de 2012

AS SENHAS DO 25 DE ABRIL

E depois do adeus, canção interpretada por Paulo de Carvalho, com letra de José Niza e musica de José Calvário, foi a vencedora da 12ª edição do Festival da Canção em 1974 e representou Portugal em Brighton, Reino Unido em 6 de Abril, ficando   quase em último lugar.
Vista à distância dos anos, 38 anos, parece uma despedida ao velho regime do Estado Novo. Foi escolhida pelo militares do Movimento das Forças Armadas, M.F.A.como a primeira senha da revolta do 25 de Abril  por seu uma canção muito popular, sem nenhuma conotação politica e que não levantaria suspeitas de qualquer género quando tocada na radio.
Exactamente às 22h55 do dia 24 de Abril de 1974, e como previamente combinado com os profissionais da radio, a canção passou nos Emissores Associados de Lisboa (que já não existem) dando ordem às tropas revoltosas para se prepararem e estarem a postos.
Pouco depois, às 0h35 já  25 de Abril, passava na Radio Renascença, a emissora católica portuguesa, a canção Grandola Vila Morena; era o segundo sinal para confirmar as operações da Revolução. A partir desse momento já nada os poderia deter. A Revolução estava em marcha e as tropas avançavam para Lisboa e para postos chave do regime.
Grandola Vila Morena é uma canção de Ze Afonso, proibida de tocar pela Censura, em 29 de Março de 1974 foi cantada no encerramento de um histórico espectáculo no Coliseu de Lisboa, a abarrotar de gente e em que cantaram todos os então chamados baladeiros e cantores anti regime. Na assistência estavam muitos militares do M.F.A que viriam a escolher simbolicamente a Grandola como a segunda senha para a revolução.
Quando Zeca cantou a Grandola, o Coliseu ia caindo com o entusiasmo. Era já mesmo o fim do regime, já ninguém tinha medo de nada e todos sabíamos que tudo iria acabar dentro em breve. estava no ar!

Na foto uma homenagem à canção na vila alentejana de Grandola, de cujos habitantes a mesma canção descreve.

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