Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

terça-feira, 2 de outubro de 2012

AS REPUBLICANAS: A LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS

Foi em 1907, que um grupo de mulheres instruídas e cultas fundou o "Grupo Português de Estudos Feministas", com o objectivo de difundir os ideias da emancipação feminina, fundar uma biblioteca e publicar estudos destinados a instruir e educar a mulher portuguesa, com o fim de esta melhor desempenhar as funções de mãe e educadora da sociedade futura. O Grupo, dirigido por Ana de Castro Osório e que agregava intelectuais, médicas, escritoras e, sobretudo, professoras, teve uma existência efémera, mas ainda publicou alguns folhetos que reproduziam discursos, conferências e outros textos de autoria das principais dirigentes, preenchendo assim uma grave lacuna de leituras de teor feminista, acessíveis às mulheres portuguesas.
É em torno deste núcleo que se vai fundar a "Liga Republicana das Mulheres Portuguesas". A ideia é lançada em Agosto de 1908 por Ana de Castro Osório e António José de Almeida e apoiada por Bernardino Machado (futuro Presidente da república) e Magalhães Lima. Este projecto foi acarinhado pelo Partido Republicano e terá forma legal em fevereiro de 1909, constituindo-se uma associação, simultaneamente politica e feminista. Os dirigentes republicanos apoiavam e incentivavam a luta reivindicativa das mulheres pela igualdade de direitos que lhes permitissem uma maior intervenção na vida social, económica e politica do país mas também lhes interessava criar mais uma frente de combate à monarquia, sobretudo por o sexo feminino ser conotado com o obscurantismo religioso e o conservadorismo politico.
A Liga fundou a Revista  Mulher e a Criança distribuída gratuitamente a cerca de seis mil associadas, com as mais variadas profissões: domésticas, empregadas do comércio, modistas, operárias, parteiras, dentistas, farmacêuticas, médicas, proprietárias, professoras, escritoras e jornalistas. Todas elas constituiram a vanguarda revolucionária do movimento social da emancipação feminina, um importante núcleo da propaganda republicana e um precioso reduto na defesa e consolidação dos ideias da liberdade e democracia.
Nela participaram ao longo dos anos, entre outras: Domitilia de Carvalho e Olga Morais Sarmento da Silveira, Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete, Carolina Beatriz Angelo, Adelaide Cunha Barradas, Amélia França Borges, Ana Maria Gonçalves Dias, Camila Sousa Lopes, Fausta Pinto da gama, Filomena Costa, Maria Benedita Pinho, Maria Veleda e Rita Dantas Machado (ver neste blog: As Republicanas).
Com a implantação da República em 5 de Outubro de 1910, as feministas republicanas julgaram ter chegado o momento de apresentarem as suas reivindicações ao novo regime politico. Mas enganaram-se, apesar de serem bastante moderadas nas suas exigências. Mais tarde, acabaram por divergir nas suas opiniões, por umas serem mais radicais e outras mais moderadas.

Com mais ou menos problemas, e com altos e baixos, a Liga acabou por sobreviver até aos anos 50. Ainda se encontram vivas, muito velhinhas, algumas mulheres que ainda chegaram a pertencer e a militar nas fileiras da Liga.Para algumas delas, cabe às suas filhas e netas continuarem a perpetuar o trabalho e a memória  das suas avós.




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