Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

quarta-feira, 12 de junho de 2013

MIGUEL TORGA (1907/1995)

Um grande escritor, dramaturgo, ensaista,  poeta, um dos maiores do extraordinário século XX português e um dos maiores de sempre. Escreve com um português exímio, "fala" com o leitor como se o conhecesse de longa data.
Adolfo Correia da Rocha, nasceu em 12 de Agosto do ano de 1907 na pequena localidade de S. Martinho da Anta,interior do nosso País.
Anos mais tarde, em 1934, adoptou o pseudónimo de Miguel Torga, Miguel em homenagem a dois grandes cultos da cultura ibérica,Miguel de Unamuno e Miguel de Cervantes. Torga, é uma planta brava da montanha que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente rectilíneo.

Nasceu no seio de uma familia humilde, o pai, Francisco Correia Rocha e a mãe, Maria da Conceição Barros.Com dez anos, foi servir para casa de parentes ricos, vivendo numa casa apalaçada, no Porto. Andava fardado de branco, servia de porteiro, moço de recados, regava o jardim, limpava o pó, polia os metais da escadaria nobre e atendia campainhas. Após um ano foi despedido, devido à sua constante insubmissão.Seguidamente foi enviado para um seminário em Lamego, onde viveu os anos mais importantes da sua infancia e adolescência. Estudou Português, Geografia, História, Latim e os Textos Sagrados.Nessa altura decidiu ser padre.
Segue para o Brasil em 1920, com doze anos, indo trabalhar na fazenda de café de um tio, este apercebe-se da sua inteligência e paga-lhe os estudos liceais em Leopoldina.Acaba o liceu com distinção. Em 1925, o tio desejoso de ver o sobrinho doutor, paga-lhe os estudos em Coimbra como recompensa do trabalhado prestado pelo sobrinho.
De regresso a Portugal, em 1928, entra para a Faculdade de Medicina, no Porto, publicando por essa altura o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade.Um ano depois, com 22 anos, inicia colaboração na Revista Presença,  revista de arte e critica,fundada recentemente por José Régio, Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, a revista Presença foi bandeira literária do grupo modernista.Rompe com o grupo em 1930, assumindo a sua postura independente.Vai publicando Rampa, Tributo e Pão Azimo, e em 1932, Abismo.
A sua obra reflecte a sua rebeldia contra as injustiças e os abusos do poder. Reflecte a sua origem de aldeão, a sua experiência médica e o contacto com as gentes pobres do norte e interior de Portugal.Um Portugal parado e perdido no tempo, ignorante, analfabeto, supersticioso, o Portugal que a Revolução Republicana não conseguiu mudar e que a Revolução do 25 de Abril de 1974 encontrou.
Com "A criação do mundo", em 1939, critica o franquismo e fascismo espanhol, o que lhe vale algum tempo de prisão pela Pide.Vai publicando A Terceira Voz, Bichos, Contos da Montanha, Libertação, Vindima, Sinfonia, Nihil Sibi, Cantico do Homem, Pedras Lavradas, Poemas Ibéricos, Orfeu Rebelde.
Foi também um grande critico das praxes académicas. Amou a cidade de Leiria onde exerceu a sua profissão de médico e onde escreveu a grande maioria dos seus livros. Exerceu também medicina nas terras agrestes transmontanas, pano de fundo de grande parte da sua obra literária.  Dividiu sempre o seu tempo entre a clinica de otorrinolaringologia e a literatura. Após a Revolução dos Cravos, em 1974, Miguel Torga surge na politica apoiando a candidatura do General Ramalho Eanes à Presidência da República, em 1979. Porém, a agitação e a ribalta politica não estavam na sua maneira de ser e distanciou-se.
Foi um grande critico e opositor do regime do Estado Novo mas também muito critico às situações que se foram vivendo após o 25 de Abril de 1974.
Várias vezes o seu nome foi indicado para receber o Prémio Nobel da Literatura, o que nunca chegou a acontecer.
Em 1940 casou com uma estudante belga, Andrée Crabé, aluna de Estudos Portugues com Vitorino Nemésio e, Bruxelas, o casal teve uma filha, Clara Rocha, nascida em 1955 e casada (e divorciada) do intelectual e escrtor Vasco Graça Moura.








Morre de cancro, em 1995.





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