Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

CLÁUDIO MAGRIS: ALFABETOS (EDIÇÕES QUETZAL)

Italiano, Claudio Magris, de 74 anos, nasceu em Trieste (Norte de Itália). Graduou-se em 1962 como germanista na Universidade de Turim. Passou pela Universidade de Friburgo, foi professor de Lingua e Literatura Germânica na Universidade de Turim (1970/1978) e actualmente ensina na Universidade de Trieste.
No seu discurso, nas suas ideias, e até na sua linguagem corporal,é possível que escolha a mais dificil de todas, o equilibrio do meio.
Foi senador entre 1994 e 1996, durante a XII Legislatura da República Italiana.
Mantém crónicas no Jornal Corriere della Sera há já 47 anos, e tem sido um feroz critico dos politicos e dos governos italianos, em especial de Silvio Berlusconi.
Uma colectânea dessas crónicas será publicada em Portugal no Libro "A História não acabou", editado pela Quetzal.
É um profundo conhecedor da cultura e da literatura europeia. Escreveu um livro "Danúbio"* que reconta lendas, factos históricos e guerras da chamada Mitteleuropa, ou Europa Central.
É um dos eternos candidatos ao Prémio Nobel da Literatura.
Assinou, no inicio de 2013, o Manifesto de Bernard Henry-Levy "Europa ou Caos?".
Em Alfabetos, reunem-se textos que Magris tem publicado no Corriere della Sera, e que giram em torno da literatura.

Senhor de uma cultura vastissima e sempre em ebulição, sempre em metamorfose, Magris usa as mais eruditas referências culturais para falar dos temas mais comezinhos, como a vaidade humana, o egocentrismo, o dinheiro, a falsa moral, as obras primas de pacotilha, a volatibilidade dos sentimentos


De Homero a Stenvenson, de Emilio Salgaria a Italo Stevo, de Goethe a Novalis, de Hérodoto a Karl Strauss, ou a Elias Caneti, de Kafka a Bertina Brantano, é toda a literatura ocidental que está presente nesta obra, que devia também fazer corar de vergonha tantos cronistas por esse mundo fora que gastam espaço público a contar assuntos anódinos da sua vida pessoal ou a fazer ajustes de contas politicos.
"Para onde vos dirigis? pergunta um personagem de Novalis, resposta: sempre rumo a casa". É uma das ideias centrais de Magris e que ele considera uma das mais poderosas metáforas sobre a Europa.

Europa que é feita de misturas, de integração de diferentes Povos, ideias, culturas, porém há valores indiscutíveis que fazem parte da identidade europeia e que são indiscutíveis: a liberdade individual, politica e religiosa, os direitos das mulheres. Este é o grande problema futuro da Europa, pois não pode fechar as portas como uma fortaleza  sob o perigo de morrer de asfixia, nem aceitar que se imponham valores que ponham em causa a sua identidade.


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