Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

terça-feira, 26 de agosto de 2014

25 DE AGOSTO 1988 - O CHIADO A ARDER

Só de olhar para estas fotografias ainda se sente o cheiro a queimado....

O coração de Lisboa ardia, Rua Nova do Almada (onde a minha mãe teve o seu primeiro escritório como advogada), os Armazéns do Grandella, da Casa Africana, o Eduardo Martins, o Armazéns do Chiado, a Casa Batalha, e inúmeras outras pequenas lojas de comércio a retalho tão conhecidas e antigas e tradicionais da cidade, onde durante talvez mais de um século os lisboetas fizeram as suas compras de Natal, de casamento, de baptizados, do dia a dia, que fazia parte da vida da cidade, tudo totalmente destruído pelo fogo nesse dia 25 de Agosto.



um incêndio que nunca ficou totalmente esclarecido, com uns contornos obscuros como tanta e tanta coisa neste País....

largas centenas de trabalhadores ficaram sem os seus empregos de uma vida inteira,




Anos depois, o Chiado renasceu, foi reconstruído, recomeçou vida nova e é de novo o coração de Lisboa, mas....não é a mesma coisa, há algo de irremediavelmente perdido que passa como um fantasma pelas ruas e edificios renovados.

I TOLD MY MOM


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ARQUITECTO CELESTINO DE CASTRO (1920-2007)

"Quando em 1996, era inaugurada no Centro de Trabalho Vitória a única exposição retrospectiva do Arquitecto Celestino de Castro realizada até hoje  em Portugal, alguém afirmou: Toda a gente sabe que Celestino de Castro é um homem excepcional, o que muita gente não sabe é que ele é um arquitecto excepcional". Hoje, que o deixámos de ter entre nós, mais importante ainda é, valorizar justamente a dimensão deste militante de exemplar firmeza, coragem e modéstia, a sua integridade, coerência e envergadura intelectual, o seu excepcional talento, o seu lugar muito destacado entre os grandes nomes da arquitectura em Portugal"(in Jornal Avante, 23.Agosto.2007).

Celestino Joaquim de Abreu Castro nasceu em 21 de Junho de 1920, em Paranhos, no Porto, filho do também arquitecto Baltazar da Silva Castro e de Mariana Amélia de Abreu Castro, professora primária.  Estudou no Porto e iniciou o curso de arquitectura na Escola de Belas Artes do Porto, mas por razões familiares acabou o seu curso em Lisboa. Findo o mesmo estagiou com o Professor Cristino da Silva na Direcção de Edificios de Lisboa do Ministério das Obras Públicas, entre 1944 e 1947. Em 1951 filiou-se no Partido Comunista Português por influência de José Dias Coelho. A sua militância no PCP conduziu-o à clandestinidade em Agosto de 1963 e, mais tarde, ao exilio em 1965. Nesses tempos dificeis, vividos em Paris, trabalhou nos gabinetes dos arquitectos Lucien Billard e André Mahé e no de André Laborie,  assim como no "Service des Batiments  et Jardins du Senat". Em 1974 regressou a Portugal no mesmo avião em que viajava Álvaro Cunhal, a tempo de participar no primeiro 1º de Maio em liberdade. Em Março do ano seguinte ingressou na Função Pública inicialmente nas Brigadas de Apoio Local da Camara Municipal de Lisboa e depois na Direcção das Instalações e Equipamentos de Saúde onde se manteve até Junho de 1990. Em 1976 ajudou a converter o Sindicato Nacional dos Arquitectos  na Associação dos Arquitectos Portugueses, na qual participou activamente até ao seu III Congresso. Em 1990 aposentou-se passando então a dedicar parte do seu tempo ao gabinete do Projecto do "Avante". Em 1993 passou a membro honorário da Ordem dos Arquitectos. Celestino de Castro morreu em Agosto de 2007.O espólio do seu atelier que doara ao Partido Comunista Português encontra-se actualmente na posse da faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, responsável pelo seu estudo e preservação. (dados da Universidade do Porto).
"Celestino de Castro é uma das mais importantes figuras pioneiras do Movimento Moderno na Arquitectura Portuguesa. Esse facto ainda é mais assinalável se se tiver em conta que o número  das suas obras construídas é bastante reduzido e que se concentram em pouco mais de uma década (1948/1963), os projectos, ainda de juventude que lhe garantem desde logo esse lugar hoje unanimemente reconhecido por críticos e historiadores. A moradia na Rua Santos Pousada no Porto (1948/1950), a moradia da Rua do Ameal, no Porto (1949 e construção em 1950/52). Trabalha vários estudos de escala urbanistica na Avenida dos Estados Unidos em Lisboa, lado sul, em Almada, trabalha no Gabinete de urbanização do qual resulta o desenho da avenida que ainda hoje é elemento estruturante da cidade, (1958/1969), de novo em Lisboa, trabalha no Plano Geral da Célula B de Olivais Sul e acompanhamento das equipas  de projecto dos edificios (1961/1962)."(in Jornal Avante).

casa do Ameal, Porto



De regresso a Portugal após o 25 de Abril de 1974 realiza importantes projectos, nomeadamente o Hospital Distrital de Guimarães e o pavilhão de Consultas Externas do Hospital de Santo António do Porto.
Os longos anos de exílio e a própria modéstia de Celestino de Castro tinham gerado uma situação em que muito poucas pessoas para além da sua geração e de alguns historiadores e investigadores, tinham a justa noção da importância da sua figura e obra. Essa situação já se terá alterado de algum modo. Mas está ainda longe de ser atribuído a Celestino de Castro todo o reconhecimento que lhe é devido. Alguma da sua obra construída, nomeadamente a casa do Ameal, foram objecto de intervenções que a desfiguraram gravemente.

casa na Rua Santos Pousada, Porto

"é preciso perceber o contexto", afirmava o Arquitecto Celestino de Castro: 



Numa entrevista em 2004, afirmou "dentro de pouco tempo faremos parte daquilo a que chamam Europa, e sobre o Mundo, a sua análise era ainda mais dura: vivemos num neonazismo. A imposição de uma ideologia esmagando povos, destruindo cidades - com uma razão absolutamente falsa, o combate ao terrorismo. Mas o pior terrorismo, todos o sabem e o terrorismo de estado".
Tendo em conta tudo o que viu e viveu, não hesitou, quando lhe perguntei para enunciar o denominador comum da arquitectura portuguesa que perpassa épocas e lugares: "A caracteristica principal da arquitectura portuguesa é uma certa modéstia sem perda de qualidade".(entrevista a Tiago Mota Saraiva).


domingo, 24 de agosto de 2014

CALDAS DA RAINHA É UMA ANIMAÇÃO!












O MUNDO EM QUE VIVI

se brinquei com estas bonequinhas de papel e de recortar a roupa para as vestir!
aprendi a ler e a escrever numa carteira assim,
e nestas camionetas se viajava, nos anos 50,  andei nelas de Lisboa para a Nazaré, onde vivia uma tia e de Lisboa para a Venda do Pinheiro/Malveira, onde os meus pais alugaram uma casa, em cima iam as bagagens e em cada paragem, o bagageiro subia lá acima a atirava com as malas cá para baixo, tinha de ir tudo muito bem preso para não cair pelo caminho


pirolitos, eram o máximo!
e nestes autocarros, já em Lisboa, fui para o liceu Rainha D. leonor, diariamente durante 3 anos, e nas férias de verão íamos para o Cais do Sodré apanhar o comboio para ir à praia




durante anos vesti-me nos Porfirios, havia filas para lá entrar e para provar a roupa, havia uns cubículos pretos, minusculos, super quentes, onde se saía de lá a transpirar mas muito feliz com aquela roupinha moderna, saias e vestidos aos quadrados e a roupa era exclusivamente confeccionada em Portugal,









e durante anos andei assim calçada, verão e inverno, desde que comecei a trabalhar, as socas eram ortopédicas, a sola era madeira, e a parte de cima em pele, extremamente confortáveis, só se vendiam em farmácias, assim a Abril de 74, nunca percebi porquê, foram desaparecendo,com muita pena minha, mais tarde encontrei umas imitações, estive com elas na mão mas desisti, não tinham rigorosamente nada a ver com estas, eram imitações reles e ordinárias e nada ortopédicas nem confortáveis!


e estas eram as máquinas de escrever portáteis, toda a gente tinha uma, não foi numa destas que aprendi a escrever, foi numa ainda muito mais antiga!