Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

domingo, 22 de março de 2015

ESCRITOR FERREIRA DE CASTRO (1898/1974)


José Maria Ferreira de Castro, nasceu na aldeia de Ossela, Oliveira de Azemeis, em 1898. Filho de camponeses muito pobres, fica orfão de pai aos 8 anos de idade.


Aos doze anos de idade, 1911, e apenas com a escola primária,  emigrou para o Brasil, Belém do Pará, e logo de seguida foi enviado para os confins da selva amazónica onde trabalhou arduamente num seringal, Paraíso,  realidade sobre a qual iria escrever mais tarde em muitos dos seus romances. Nessa época passou por imensas provações e desempenhou os mais variados e humildes trabalhos. Começou entretanto a escrever enviando os textos para jornais no Brasil e em Portugal. Publica o seu primeiro romance, Criminoso por ambição, em fascículos que vai vender de porta em porta. Por volta de 1917 torna-se jornalista escrevendo para vários jornais brasileiros. Coloca-se ao lado dos individuos explorados, miseráveis e expoliados da sociedade. No ano de 1919 regressa à Pátria já cheio de saudades.


De regresso a Portugal, e apesar de ser um jornalista bastante conhecido no Brasil, tem dificuldade em encontrar trabalho, chegando mesmo a passar dias sem comer. Mais tarde  seria redactor nos jornais O Século, O Diabo, O Domingo Ilustrado, e Ilustração. Um dia  fez-se prender na cadeia do Limoeiro, para viver a realidade dos reclusos dessa penitenciária. Em 1930 entrevistou o então lider do Sinn Fein Irlandês, Eamon de Valera. Fundou também a revista  A Hora e o magazine A Civilização.


Em 1928 publica o romance Emigrantes e em 1930 o romance A Selva, que obtêm um exito estrondoso não só em Portugal mas no estrangeiro, onde a literatura portuguesa não era muito conhecida.



Ferreira de Castro é um dos maiores escritores portugueses de sempre, estando os seus romances traduzidos em dezenas de línguas em todo o mundo. Chegou mesmo a ser proposto para o Nobel da Literatura. Em 1951, um grupo de intelectuais democratas e anti-fascistas convidou-o para se candidatar à Presidência da República, o que declinou. Foi também membro do MUD - Movimento de Unidade Democrática, opositor do Estado Novo.



Foi desde sempre um acérrimo opositor do regime do Estado Novo, em 1949, apoiou a candidatura à Presidência da República do General Norton de Matos. Foi também um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Escritores, em 1956, da qual foi Presidente durante dois anos (1962-1964).




Foi um grande viajante, Europa, Mediterrâneo, Norte de África, e mais tarde uma viagem à volta do mundo, escrevendo livros sobre as mesmas. Em 1938 conhece a pintora espanhola, Elena Muriel com quem viria a casar.



O 25 de Abril de 1974 foi por ele acolhido com enorme emoção, mas viria a falecer pouco tempo depois na cidade do Porto.





























domingo, 1 de março de 2015

ELINA GUIMARÃES (1904 - 1991) - ADVOGADA E FEMINISTA


Nasceu em Lisboa, filha única de Alice Pereira Guimarães e de Vitorino Máximo de Carvalho, militar e republicano, o qual chegou a ser ministro da I República. Elina estudou em casa com mestres e frequentou os liceus Almeida Garrett e Passos Manuel. Em 1926 acaba a licenciatura em Direito, nunca chegando a exercer a advocacia. Trabalhou no Tribunal de menores durante algum tempo. Casou em 1928 com o advogado Adelino da palma Carlos, mas continuou a usar sempre o seu nome de solteira.
Foi sempre uma acérrima defensora da participação das mulheres na vida pública e foi seguidora dos ideais de Ana de Castro Osório. Colaborou em imensos jornais e revistas, como por exemplo: O Rebate, Diário de Lisboa, Alma Feminina, Portugal Feminino, Seara Nova, Diário de Noticias, Primeiro de Janeiro, Máxima, Gazeta da Ordem dos Advogados, etc. etc.




Ao longo da vida fez várias conferências em Portugal e no estrangeiro (muitas juntamente com Sara Beirão e Angélica Lopes Viana Porto), fez parte do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (tendo sido convidada por Adelaide Cabete), que foi encerrado pelo Estado Novo em 1947,  da International Council of Women, International Alliance for Womens Suffrage, Federation des Femmes Diplomées en Droit. Em 1985 recebeu a Ordem da Liberdade. 



Foi uma precursora do chamado "feminismo juridico", juntamente com Aurora Castro e Carmen Marques, lutando pela igualdade das mulheres portuguesas perante a lei.





VENEZUELA, ONTEM SÁBADO