Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A MINHA QUERIDA PIMENTINHA (2005 - 2015)


Pimentinha, partiste ontem ao final da manhã e já morro de saudades. A tua energia, esperteza, a tua meiguice, a tua sempre activa vigilância, ninguém passava na rua que não desses sinal, e ladravas ruidosamente, o teu sentido de protecção, aqui ninguém entrava, este era o teu território, as tuas doidices, desde rebentar com o portão, roer a porta de entrada, destruir sei lá quantos pares de sapatos, estragar roupa, destruir e reinventar todo o quintal, quando para cá vieste, com cerca de 3 meses eu até tinha um bonito quintal com flores todo o ano.Passados uns tempos e até agora, é apenas um montão de terra mais ou menos esburacada!


Pimentinha, foram uns garotos que te encontraram naquela manhã de sábado de finais de Novembro, 2005, em que chovia copiosamente, os miúdos encontraram-te na mata do Parque de Caldas da Rainha, juntamente com 3 ou 4 irmãos e uma progenitora que já não vos ligava muito. Estava eu numa campanha de rua da Crapaa. Alguém foi à mata à vossa procura e trouxeram-vos, todos os teus irmãos foram adoptados nessa manhã, menos tu, talvez por seres aquela que nunca parava quieta e saltavas doidamente! Trouxe-te para casa, a tua casa, pensando que irias lá ficar até seres adoptada. Durante alguns meses levei-te às campanhas da associação, cada vez menos convencida de que serias adoptada e cada vez com menos vontade que o fosses. Quando apareceu alguém que finalmente te queria adoptar, eu disse que não, e foi assim que fui que te adoptei. E nunca me arrependi, apesar de seres completamente doida e destravada.


Pimentinha, foste sempre uma companheira excepcional, ouvias sempre atentamente tudo o que eu falava e dizia, como se entendesses palavra por palavra. Foste sempre a grande companheira do Lupo e do Cokas, e de todos os cães que recolhi e que viveram contigo nesta casa. O Boy, e depois o Papuça, que anda um pouco desorientado agora e se sente muito sózinho e do minusculo Mr. Brown que vive lá no mundo dele. E dos gatos, de todos gatos desta casa, foste sempre a grande protectora deles como se entendesses que eles eram apenas um pouco diferentes de ti...

E de quem vinha cá a casa e de como era dificil convencer-te e perceberes que eram amigos e que não podias rosnar e ladrar furiosamente, tinhas receio de pessoas e talvez com razão, nos teus primeiros tempos de vida deves ter vivenciado algumas situações bem desagradáveis, pois o local onde foste encontrada não era lá muito bem frequentado! e aliás, um dos teus irmãos estava junto com vocês mas morto e provavelmente de forma violenta. Por isso sempre desconfiaste do bicho homem. Para ti eu era o único ser humano em quem confiavas totalmente.

Minha querida Pimentinha! o teu sofá está agora desocupado e a casa está estranhamente silenciosa.

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