Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

AQUILINO RIBEIRO (1885 - 1963) - "Alcança quem não cansa!"


Aquilino Gomes Ribeiro nasceu no Carregal, concelho de Sernancelhe(Beira Alta) em 13 de Setembro de 1885 e viria a falecer em Lisboa no dia 27 de Maio de 1963. Estudou em Lamego, em Viseu e em Beja, onde frequentou o Seminário, (Seminário do qual foi expulso);  a sua mãe queria vê-lo sacerdote. Não tinha vocação para isso e abandona o Seminário, vindo para Lisboa onde começa a colaborar no jornal Republicano A Vanguarda. Em 1907 e em colaboração com José Ferreira da Silva, publica o seu primeiro romance " A filha do jardineiro". Adere à Maçonaria e entra para a Loja Montanha, do Grande Oriente Lusitano (convidado por Luz Almeida).



Ainda em 1907, é preso acusado de ser anarquista após um atentado da Carbonária, conseguindo escapar da prisão algum tempo depois e mantendo contactos intensos com os regícidas. Vai algum tempo para Paris estudando Letras na famosa Sorbonne. Regressa a Portugal após a instauração da República e regressando a Paris, onde conhece Grete Tiedmann com quem casa e tem um filho. Passa algum tempo na Alemanha e de novo em Paris, onde publica O jardim das tormentas. Logo após o inicio da I Grande Guerra Mundial volta a Portugal sem ter terminado a sua licenciatura e começando a leccionar no Liceu Camões em Lisboa.



Em 1919 e a convite de Raul Proença entra para a Biblioteca Nacional, integrando o então denominado Grupo da Biblioteca, com Jaime Cortesão e Raul Proença, entre outros. Publica Terras do Demo. No ano de 1921 inicia a sua colaboração com a Seara Nova. No ano de 1927 participa na revolta de 7 de Fevereiro (contra o regime autoritário e fascista recentemente no poder, sendo obrigado a exilar-se em Paris e regressando clandestinamente por causa da morte de sua mulher. Participa na Revolta de Pinhel, volta a ser preso e enviado para o presidio de Fontelo, Viseu de onde volta a evadir-se, fugindo para Paris e casando com D. Gerónina Dantas Machado, filha de Bernardino Machado, Presidente da I República Portuguesa. Entretanto, em Lisboa é julgado à revelia e condenado. Nasce o primeiro filho deste segundo casamento. Aquilino Ribeiro Machado, que viria a ser o 60º Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Vive algum tempo na Galiza, voltando a Portugal clandestinamente.




No ano de 1933 recebe o Prémio Ricardo Malheiros atribuído pela Academia de Ciências de Lisboa, da qual é eleito sócio correspondente. Viaja pelo Brasil, e é um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Escritores, chegando a ser seu Presidente; há em 1958 participa na candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. Em 1960 um grupo de intelectuais portugueses propõem o seu nome para o Prémio Nobel da Literatura, entre outros: Francisco Vieira de Almeida, José Cardoso Pires, David Mourão Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, José Gomes Ferreira, Maria Judite de Carvalho, Mário Soares, Vitorino Nemésio, Abel Manta, Alves Redol, Luisa Dacosta, Virgilio Ferreira e muitos outros. Publica o Livro da Marianinha dedicado à sua primeira neta, nascida no ano de 1962. Em 1963 várias cidades do País prestam-lhe homenagens por ocasião dos 50 anos da sua vida literária, ao mesmo tempo a Censura comunicava aos jornais da época não lhes ser permitido falar das mesmas. Morre nesse ano sendo sepultado no Cemitério dos Prazeres em Lisboa.



Após 1974, com o fim da ditadura é publicado o seu livro Um escritor confessa-se, com prefácio do poeta José Gomes Ferreira. Em 1982 é agraciado com a Ordem da Liberdade. Considerado um dos maiores romancistas portugueses do século XX; além da Seara Nova, participou em várias Revistas e publicações: Alma Nova, a luso-brasileira Atlântida, Ilustração, o Jornal Miau, Revista dos Centenário, por ocasião da Exposição do Mundo Português. Além dos muitos romances, publicou também vários livros para crianças, entre eles o mais famoso, O Romance da Raposa, do qual a RTP chegou a fazer uma pequena série.




A sua Casa Museu localiza-se em Soutosa, onde o escritor viveu em criança. Ao todo publicou sessenta e nove livros, entre as mais diversas áreas, ficção, jornalismo, crónica, memórias, ensaio, estudos de etnologia, História, biografias, critica literária, teatro, literatura infantil, incluindo traduções de latim, grego, espanhol (traduziu o D. Quixote, por exemplo), francês e italiano.



A sua vida pessoal foi imensamente rica e intensa. O escritor chamava-se a si próprio um obreiro das letras, trabalhou incansavelmente até ao dia da sua morte, após uma viagem ao Porto. Foi toda a sua vida um verdadeiro homem de acção, na prática e através da escrita, participando activamente em quase todos os grandes acontecimentos portugueses durante o seu tempo.













(O quarto do escritor na Casa Museu)












(a casa da Cruz Quebrada, Lisboa) 


(dedicado à sua primeira neta, Mariana, nascida em 1962)




(nasce o primeiro filho, 1914)








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