Este blogue é dedicado à memória do meu Pai, Alberto Pedroso (7 de Abril de 1930/1 de Janeiro de 2011).

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

FUGA COLECTIVA DO FORTE DE PENICHE - 3 DE JANEIRO DE 1960


"Foi numa destas mudanças que se criaram condições muito favoráveis à organização e preparação de uma fuga. Alguns dos presos mais responsáveis estão em Peniche, nomeadamente Jaime Serra (isto passa-se em 1950), foram transferidos para uma sala (antes desactivada), onde já se encontrava isolado há algum tempo, Francisco Miguel, uma sala afastada da zona central do forte onde se encontrava a população prisional e os serviços da cadeia. Com Jaime Serra estavam vários presos de um processo do Algarve, vários outros do Porto e Gabriel Gomes - este condenado a longos anos de prisão por ter sabotado alguns aviões numa tentativa putchista de Abril de 1947. Totalizavam cerca de 20 presos." (texto retirado de O Militante, palavras de José Vitorino - Peniche 1950 - Lembranças de uma fuga).



A mais famosa fuga das prisões fascistas portuguesas teve lugar a 3 de Janeiro de 1960, no Forte de Peniche; nesta fuga colectiva participaram dez presos, todos destacados dirigentes e membros do Partido Comunista Português; Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel Duarte (que seria apanhado pouco depois mas voltaria a fugir algum tempo mais tarde), Guilherme Costa Carvalho, Joaquim Gomes dos Santos, Jaime dos Santos Serra,  José Carlos, Pedro dos Santos Soares e Rogério Rodrigues de Carvalho.



(o filme de Luis Filipe Rocha)


Esta fuga contou com o apoio de um guarda, José Alves, Cabo da G.N.R.,  do corpo de segurança externo às instalações prisionais. A fuga exigiu uma enorme, metódica  e longa preparação, os presos escavaram um buraco na muralha por onde poderiam  fugir directamente para o mar. O problema do entulho que tal acção naturalmente fazia, foi resolvido conseguindo atirar com o dito entulho ao  mar através da janela. A parede furada tinha cerca de dois metros de espessura. Entretanto uma greve de fome na prisão e transferência de presos veio alterar os planos. A hipótese do túnel através da muralha foi abandonada e decidiram serrar as grades da janela. 




Acabaram por sair ajudados pelo cabo da GNR, sendo uma sentinela neutralizada, conseguindo atravessar a parte mais exposta e descendo então pela muralha com a ajuda de corda feita com lençóis. O actor Rogério Paulo, já falecido, ajudou na fuga, dando o sinal de dentro de um carro. Importante também, o apoio e o silêncio da população trabalhadora de Peniche.





2 comentários:

  1. Natércia, permita-me esclarecer esta confusão. Trata-se de duas fugas diferentes mas misturando datas e descrição dos acontecimentos. Em 3 de Novembro de 1950 fugiram Jaime Serra e Francisco Miguel. Em 3 de Janeiro de 1960 é que se dá a célebre fuga colectiva com Álvaro Cunhal e restantes camaradas, com a ajuda do GNR. Ambas de Peniche , claro. Um abraço.

    ResponderEliminar